Entrevista: O Dragão Branco Ninja!

Em Março de 2009, este blogueiro foi enviado (ou se auto-enviou) em uma missão especial para São Paulo. Ser o embaixador do Get Ready to Rumble no mundo da Brazilian Wrestling Federation, o topo da luta livre nacional. Conheci lutadores, lendas, assisti um show e acompanhei os bastidores.  Vários conteúdos já foram registrados aqui, como uma viagem de um grande fã ao encontro do seu objeto de admiração, mas se você pensava que os frutos da viagem acabaram por ali, você está redondamente enganado. Ainda temos coisas por vir!

Uma dessas coisas é essa interessante conversa com o Dragão Branco Ninja, um dos lutadores mais populares da “nova geração” da luta livre Nacional. O dragão, cujo O Raposa se entitula o maior dos fãs, conversou com o blog Get Ready to Rumble sobre técnicas de luta livre, o cenário atual, futuro e é claro sobre seu personagem.

Portanto se você é fã da Luta Livre Nacional, este é uma grande oportunidade de entrar em contato com esta fera. Se você não é fã da luta livre nacional, mas é fã da luta livre mundial, essa é uma grande oportunidade para conhecer mais da prática da luta livre. E se você não é fã da luta livre e ao menos for curioso, leia por curiosidade.

Agora se você não gosta de nada, leia porque estou mandando :)
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Ninja, antes da luta livre você era praticante de outras artes marciais..

Sempre fiz. Eu sou faixa preta de Karatê, estilo Shotokan. Isso já faz um bom tempo. Estou na luta livre há quase 10 anos e isso me deu uma base muito forte para a luta livre.

E você ainda dá aulas de karatê? Ainda pratica? Ou você é focado somente na luta livre agora?

Bom, o aluno de karatê nunca para. Ele está sempre em desenvolvimento, sempre evoluindo. Eu sou alguém que viu na luta livre uma extensão do meu aprendizado. Eu me formei, mas cada dia eu aprendo muito mais na luta livre. Tanto é que eu faço um personagem diferenciado dos outros lutadores do nosso meio.

E você começou há quase 10 anos atrás onde? Por qual academia? Foi com o Nino Mercury não é?

Isso, o Nino Mercury é o meu treinador de luta livre. Ele e o saudoso Califa das Tormentas, que foi o protagonista, o responsável, quem inseriu o nome “O Dragão Branco Ninja” no mundo da luta livre. Ele foi o criador do nome, o saudoso Califa.

Nós vemos nos seus combates o quanto seus ataques e movimentos são diferentes dos outros lutadores, justamente por esta influência do karatê. Mas aquele seu movimento para fechar o combate, aquela voadora do corner. Já possui nome?

Sim, aquele golpe nasceu em um combate em Boiçucanga, durante um combate que fiz lá em dia de chuva e é chamado de “Vôo do Dragão”. Um salto da terceira corda com um chute no peito do adversário. Existem outros golpes com nomes também, como a “Patada do Dragão”. Que é quando eu jogo o adversário contra as cordas e no retorno do lutador eu acerto, como o pessoal chama no futebol, de voleio. Aquele é conhecido como “A Patada do Dragão”.

Hoje você lutou contra o cachorrão. Nesse tempo de luta livre, existe algum lutador que você gosta mais de lutar contra, que você encontra um melhor entrosamento? Ou pra você qualquer lutador é a mesma coisa?

Aqui sempre que tem luta, nos entrosamos muito bem. Isso acontece porque todos lutadores são bem treinados, todos sabem o que irão fazer na hora que sobem no ringue e sabe que, as loucuras que nós fazemos – as coisas que o pessoal acha que é loucura – são na verdade movimentos muito bem treinados pelos atletas. Nós confiamos completamente nos nossos lutadores, sendo eles bons ou ruins, temos a certeza do bom trabalho. É tudo gente consciente e bem treinada que sobe no ringue.

Nós sabemos que você faz um personagem volante (Face). Já houve algum momento da luta-livre que você atuou como base (heel)? Seja por algum problema no card ou outro fator? Ou você sempre se mantém como volante?

Base jamais. Eu sou um volante e sempre atuo assim. Nunca dei a entender e nunca mostrei que eu poderia ser um base no ringue. O público me adora como volante e assim pretendo continuar para sempre mesmo.

Se você pudesse mudar alguma coisa na luta livre, você tivesse todo o poder necessário para mudar o que fosse, qual seria a sua opção de mudança para evolução da luta livre brasileira?

Incentivo publicitário, pois é muito escasso aqui no Brasil. Praticamente zerado.  Enquanto lá fora, Nos Estados Unidos ou México, é completamente valorizado, em outros países em geral… Já aqui no Brasil, é muito discriminado ainda. É uma região ou outra que conhece e valoriza. Jogando isso na mídia, tudo se transforma. Você veria o quanto que a opinião se transformaria. Mas, como você falou, tudo aqui é o dinheiro. Se nós tivessemos apoio publicitário, vocês veriam o quanto tudo mudaria.

E como você vê essa característica da luta livre brasileira, onde você tem combates entre lutadores da nova geração, entre aspas pois já tem pessoas da nova geração que lutam há quase 10 anos, mas enfim, dessa chamada “Nova Geração” com o pessoal das antigas. Como você encara esse tipo de combate e relacionamento entre o pessoal da nova geração e as lendas da luta livre?

Como você falou, esse pessoal são as lendas mesmo. Nós nos emocionamos em subir no ringue e ver ali o pessoal da antiga, que quando você era pequenininho não perdia um combate. Tinha o Fantomas, a Múmia, o Caboclo Selvagem, o Marinheiro, até mesmo meu treinador o Nino Mercury. Então é uma emoção muito forte quando você se depara com eles dentro do ringue e junta essa geração com os lutadores novos. Nós só temos o que aprender com eles. Temos que prestar muita atenção no que eles fazem, porque mesmo com idade e tudo, eles fazem ainda a coisa acontecer hoje. Eles estão subindo no ringue, estão vivos e mostrando o que podem fazer por aí. Hoje (no local da entrevista) nós tivemos aqui o Mr Argentina, o Diabo Loiro…meu Deus do céu, é uma honra ter o contato com eles, te-los ainda no nosso meio e receber as dicas e elogios para com o nosso trabalho. É muito bom te-los por perto trabalhando e nos incentivando.

Existe algum lutador do passado, ou até mesmo da realidade, que você se inspira? Nós sabemos que o seu jeito é completamente diferente, mas existe algum lutador que, seja na maneira de andar no ringue, de mexer com o público, que você se inspira ou que admira mais?

Sim. Você diz um lutador brasileiro?

Os dois.

Um lutador mundial que eu me inspiro bastante é o Rey Mysterio. Aquele mexicano faz coisas que até Deus duvida. Eu procuro me inspirar nele no malabarismo dos golpes, na forma de cumprimento, bater no peito, chamar o pessoal para mexer com o público. Aquela coisa de fazer o público se despertar. E aqui no Brasil o antigo lutador Chico Ichikawa, que tinha um estilo japonês também e portava várias características de que o meu lutador possui hoje. A gente faz uma miscigenação e coloca na atualidade.

Nós reparamos de fora, no seu combate, a sua preocupação com a plástica dos movimentos. Até mesmo do seu andar, quando o adversário está no chão você assume uma postura diferente. Qual, na sua opinião, é a principal característica de um bom lutador hoje?

Com certeza, o que você acabou de definir aí, a plástica dos movimentos é um fator muito importante. O lutador precisa saber aplicar e assimilar o golpe de forma que a platéia fique ainda mais empolgada com o show. Ou seja, a plástica do movimento ali é tudo. O mexer com a platéia, provocar a vaia, o lutador precisa saber trabalhar com isso e na hora certa. Não exagerar, pois tudo tem o seu limite dentro do show.

Até porque um erro que nós vemos muita gente que é nova cometendo, é que quando a pessoa recebe um movimento, ela valoriza tanto que depois quando recebe algo de maior impacto, não tem como valorizar ainda mais. E aí que acaba nascendo problemas no combate.

Isso, exatamente. O teatro precisa ser muito bem elaborado e bem feito. Então, recebeu um ataque na perna ou no joelho, você não vai sair correndo pulando. Registra o dano por mais algum tempo, alguns minutos… geralmente é o que o Dragão Branco costuma fazer quando recebe os ataques. Recebeu um ataque nas costas, valoriza o ataque do adversário, fica ali no chão. E aí naquele momento de vacilo do adversário, ele fica meio sem saber o que fazer, ali que é o momento do contra-golpe do Ninja. Ele ali que ele reaviva, renasce e dá continuidade a luta. Até porque como o Ninja é um lutador ágil, rápido, ele não fica muito tempo parado. Os golpes são rápidos e malabarísticos. Então o oponente precisa faze-lo morrer no chão, precisa mante-lo no chão. Até porque se ele levanta a cabeça e fica de pé, ah, aí o pau come.

Você já passou por algum momento crítico na luta livre? Alguma lesão? algum momento que saiu tudo errado?

Sim, uma vez eu tive uma lesão muito forte lutando na baixada santista contra um lutador chamado Metralha. Combate muito forte, ginásio lotado. Ele me aplicou uma chave, mas escorregou na hora e me causou uma lesão. Me deu um deslocamento na coluna. Pelo meu preparo físico, eu consegui assimilar o golpe e segurar, pois se não ele poderia ter quebrado as minhas costas no meio na hora. Mas graças a Deus a gente foi bem, consegui me safar do golpe na hora e continuamos o combate. E é aquilo, na hora com o sangue quente a gente segura e vai embora. Mas depois que o sangue esfria, nós que somos lutadores é que sabemos como sofremos. Aí é muita massagem, é muito óleo, tudo para resolver bem as contusões. Mas as contusões são normais nas nossas vidas, como na vida de um jogador de futebol, ou atleta olímpico, lutador de boxe, enfim: é a mesma coisa.

E qual seria o seu sonho dentro da luta livre? Qual seria o seu ponto máximo na sua carreira na luta livre?

Lutar no exterior. Conhecer o México, a terra-mãe da luta livre. Lá temos os verdadeiros deuses da luta livre, por isso o meu maior sonho é conhecer a cidade, esses lutadores, poder viver esse ápice da luta livre. Lá e os Estados Unidos, que são os templos sagrados da luta livre.

De repente subir no palco para lutar em uma WrestleMania…

Uau, é, é um sonho. Seria uma grande realização.

Nós sabemos que aqui no Brasil, as federações de luta livre possuem uma deficiência em relação a trabalhar com títulos. Falo da falta de cinturões. Mas nós também sabemos que existem algumas iniciativas, algumas pessoas importantes que falam de trazer esses cinturões para a luta livre. E você já pensa em poder incluir nessa sua cerimônia de abertura, que já possui o ritual da entrega do chapéu e espada, a entrega também do cinturão?

Isso, é um sonho também. Atualmente nós disputamos o campeonato brasileiro de duplas na baixada santista, pela equipe do Bob Léo. Nós já estamos disputando faz algum tempo e o Dragão Branco está ali entre os mais indicados pela conquista do cinturão. Existem vários nomes na briga, como o Pirata Mozart e o Bob Jr, mas o Dragão está na disputa.

Você falou do pirata Mozart. Vocês têm travado alguns combates interessantes..

Já sim. Vários combates fortes, onde geralmente ele vem ganhando pela trairagem, pela sujeira dele. Quando o jogo é limpo, geralmente o Dragão leva a boa.

E o pirata Mozart é conhecido por ser um atleta que bate um pouco mais forte, não é?

Sim. O Mozart é um atleta que vivencia realmente o que é a arte da luta livre. Ele senta o pau mesmo, sem dó e dá mais vazão, mais área para trabalharmos com ele também. Outros lutadores são assim também, mas depende da equipe com quem você vai trabalhar.

Obrigado Ninja, boa sorte no campeonato pela equipe do Bob Léo e vamos torcer para que você ainda conquiste muitos cinturões para integrar a sua cerimônia de entrada.

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12 comentários em “Entrevista: O Dragão Branco Ninja!

  1. AHEEEEEEE!
    Ninja!

    Eu tinha prometido postar essa entrevista pra você, mas acabei esquecendo… Enfim até que foi bom, pois você fez melhor do que se tivese sido eu hehe!

    Porra o ninja…
    tinha uma parte que ele falava de mim e você cortou ¬¬

    Sempre que eu sonhei em ser lutador eu imaginava algo igual o Ninja e PQP saber que já existe alguém assim e ainda mais no Brasil é foda pra caramba…

    Bela entrevista hehe! mas só por que foi o Ninja… hehe!

    Ps: faltou o fundo sertanejo que fez o embalo da entrevista hehehe!

  2. Pois é Raposa, você é mais furão do que eu rs.

    Acabei não colocando essa parte, pois quando eu falei de você pro Ninja, era mais pra te agradar mesmo. Era até em época do seu aniversário se não me engano…

    Espero que um dia você possa conhecer o Ninja e o resto do pessoal da BWF. Do Ninja eu sei que tu vai curtir mesmo, pois além de mandar bem, ele é um cara super humilde e gente boa.

    Tem uns caras que nem mandam bem que nem ele e tem um pouco de nariz empinado (ou vai ver foi má impressão minha), mas o Ninja é excelente, auto-confiante e humilde. Um cara muito legal de se conversar.

    E olha que eu fui bestão, já cheguei falando “oi talz, trouxe tua espada?” hahaha…

  3. Aê Jack! Grande entrevista, perguntas bem elaboradas, no fim a pessoa que lê fica bem informado sobre esse lutador tão diferente dos outros na luta livre nacional, o que faz ele um luatador que dá gosto de ver combatendo, Dragão Branco Ninja. Toda a plástica dele enriquece o combate, o modo em que le aplica os golpes. Não é aquela mesma coisa que você vê na maioria dos lutadores volantes. Jack, daqui a pouco você tá com um talk-show tomando as madrugadas da globo, com certeza vai sobrar muito espaço…

    E quero parabenizar você por sua volta, tava demorando… Aproveito pra dizer que sua JOM e a Jack Stunner estvam ótimas. Coincidem com minha opinião.

    Abraços.

  4. Legal essa entrevista, sobre um lutador brasileiro e que realmente gosta do que faz, não faz só por dinheiro (o que é difícil aqui no Brasil mas…) ou algo assim.
    Ele parece ser bem legal mesmo e ele mescla realidade como uma pessoa normal e como o lutador propiament dito.
    Bela iniciativa e bela entrevista.

  5. no Brasil? no Brasil todos wrestlers estão no esporte justamente pq amam, pois você acha que eles tem retorno?

    gente que gosta de dinheiro estão na WWE!

  6. DRAGÃO BRANCO!!! UOUUU!!!
    Gostei dessa entrevista. Acho que é em entrevistas como essas, que você admira ou deixa de admirar um lutador, e isso aconteceu comigo, e aconteceu novamente nessa. Dragão parece ser tri humilde mesmo.

    Trabalhar bem o personagem é a “chave do negócio” e o personagem do Ninja é incrivel. Gosto dele entrando na arena, com roupa de NINJA mesmo, mandando os golpes com a Katana, Chapéuzão do Rayden, e toda a plastica a atuação de seu personagem. Seus golpes são bem legais né, o finisher dele achei da hora, parece um Chute do Chuck Norris, só que do Corner..heheeh

    Imagino como deve ser a emoção dele de lutar junto e contra lendas que ele assistia. E acho muito legal também, como as Lendas da Luta Livre brasileira são respeitadas e temindas. Mozart, Nocaute Jack, Belo e tantos outros, assustam mesmo, e isso é muito legal..hehehehe

    Parabés pelas perguntas Jack, muito interessante mesmo essa entrevista. Virei fã do Ninja, não só pela entrevista, mas porque gosto de ver seu estilo no ringue. Brilha muito…

    Grande entrevista, Grande Ninja
    Parabéns aos Dois, Entrevistador e entrevistado
    Ab s

  7. Então Osvald foi o que eu disse que ele faz isso porque ama, mas aqui realmente todos fazem porque amam mesmo e não por dinheiro(já na WWE…)

  8. Podia ter perguntado pra ele quais são os tipos de golpes que ele se recusa ou tem medo de receber, os que ele prefere aplicar… =P

    Mas é né, pelo visto, pq será que eu sou o único que gosta de ser heel por aqui hein? XP

    Eu sou heel autêntico cumpadiada! :P Se eu tivesse na WWE, faria até os carinhas do WWE UNIVERSE me odiarem ahuahuhauhauhauah

    Please Vince, I’m ansioso and I know how speak in public to be bad! You need this….

  9. Muito interessante a entrevista Jack
    Eu jáa vi uma luta do Dragão no Telecatch, gostei muito, pq ele fica no estilo marcial dele em toda a luta, sabe atuar muito bem com seu personagem
    ele tem que ficar como volante sempre, porque na BWF já tem muito base de força, e ele tem que ajudar os bonzinhos a vencer, até porque Dragão Branco já diz que é uma boa pessoa como lutador
    A Luta brasileira precisa ter mais incentivo, não sei pq os empresários não apoiam essa idéia, que visivelmente ia explodir se tivesse investimento

    Sorte pro Ninja na busca ao título

  10. Muito booooom Jack! Adorei essa entrevista!

    Essa coisa da plasticidade dos golpes eu adoro, e pelas fotos deu pra mostrar um pouco de como o Dragão Branco se preocupa com isso. É muito bom, confirma o personagem a cada momento!

    Ele, como “volante eterno” lembra o Dragon Steamboat, tu sabe se ele é fã do cara? Não to dizendo que são pareciiidos e pah, mas de repente tem uma informação ou outra que dão uma lembrada, por isso a pergunta. (inclusive o Dragão no nome)

    Bem receptiva a entrevista, ele falou bastante, você perguntou coisas muito interessantes, muito bom Jack, e suas fotos, nem comento mais.

    Parabéns pra ti e pro Ninja

  11. Jack , foi muito legal essa sua iniciativa cara, entrevistar a “prata da casa” nos mostrando um pouco mais desses verdadeiros herois que são os nossos lutadores.
    Muito bom , espero que tenha mais! Quero uma entrevista com o Miniboy!

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