The Bell – Do que os ícones são feitos?

Vince McMahon tem reclamado que sua empresa não tem conseguido criar ídolos. Mas, como é feito um ídolo da luta-livre? Eu sou Mateus Rodrigues, do podcast do Get Ready to Rumble, e esse é o tema da minha coluna de estréia.

The Bell

Foi noticiado recentemente que Vince McMahon estaria insatisfeito com a incapacidade de sua empresa de criar novos astros da luta-livre. Ele está certo. A WWE está num ramo na qual ela é referência e seu dono sabe que esse caminho foi pavimentado com ídolos absolutos, daquele tipo que escapa da esfera do pro-wrestling e se fixa no – concorridíssimo, diga-se de passagem – hall da fama da cultura pop americana. Hulk Hogan e The Rock são dois dos exemplos mais claros disso.

Hulk Hogan em Gremlins 2 - lembram disso?

Hulk Hogan em Gremlins 2 - lembram disso?

O fato é que essa figura que ultrapassa a barreira da luta-livre não existe hoje na companhia, a despeito dos esforços para sua criação. Sim, estou falando de John Cena, a aposta da vez de Vince. E, por incrível que pareça, é uma escolha lógica. É um lutador que tem um estilo próprio, tem carisma, tem o “fator superstar” tão procurado na WWE. Além disso, é profissional – topa a carga enorme de compromissos que a companhia impõe aos seus main-eventers com um sorriso no rosto.

No entanto, esta escolha tem alguns problemas óbvios. Em primeiro lugar, sua habilidade limitada impede que ele realize apresentações marcantes. E, sem feitos dignos de lembrança após anos, não há lenda que se firme. E aqui chegamos – finalmente – ao propósito dessa coluna: afinal de contas, do que esses grandes heróis do pro-wrestling são feitos?

É difícil afirmar com certeza, mas podemos arriscar alguns fatores. Personagens únicos e apresentações únicas são um bom caminho. Undertaker, Shawn Michaels e Bret Hart construiram seus caminhos dessa forma. Apesar disso, ainda tenho dúvidas se esses grandes lutadores ultrapassarão os limites do negócio e chegarão à cultura pop americana. Mesmo “Stone Cold” Steve Austin tem um reconhecimento proporcionalmente tímido se comparado a sua carreira como wrestler.

A já clássica entrada do Deadman

A já clássica entrada do Deadman

Para mim, ícones são uma espécie de gênio. Não existe uma fórmula de criação para eles. São ícones justamentre porque quebram os paradigmas de suas áreas de atuação sem ser possível explicar muito bem como fizeram isso. E você, o que acha?

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12 comentários em “The Bell – Do que os ícones são feitos?

  1. Gostei do texto, não conhecia você por que não escuto os podcast, mas você tem argumentos bons.

    Só achei a coluna curta, quando parecia que ia pra um desfecho brilhante ela acabou.

    Mas foi muito bem escrita, apesar de que eu acho que ícones são feitos pelo seu momento, Hogan se tornou uma lenda e cultura popular por que tinha um carísma que era totalmente novo para um show de luta livre naquela época.

    The Rock sabia falar muito bem no microfone o que fez ele se destacar tanto ele não tinha todo esse carísma e estilo de Hogan, mas teve a sorte de participar de grandes produções, mas está longe de ter atingido a fama equivalente que hogan fez no ringue e fora dele, digo The Rock é famoso pelos filmes, mas quem não conhece WWE nem sabe que ele era lutador, diferente do Hogan.

    Posso esstar equivocado, afinal Hogan é dos anos 80 então muita gente vai conhecer ele diferente do The Rock que é mais recente, mas digo que ícones eram muito mais faceis de se fazer quando tudo era novidade do que hoje em dia, que nada parece mais ser original…

    A solução me parece ser feita uma nova era igual a WWF Atitude e criar outro ícone juntando o melhor do Stone Cold com The Rock e ai sim ter um ídolo que passe as barreiras do ringue e chegue a cultura pop…

    Se até o Zina conseguiu ser cultura pop por alguns meses hehe!

  2. Legal que você postou pela primeira vez um texto seu aqui e eu até gostei mas como o Black Heart disse está curto e na hora que parecia que iria estourar acabou mas mesmo assim foi bom e podemos relevar já que é o primeiro texto seu aqui. ídolo pra mim é diferente disso pois como falamos de luta-livre o cara sendo ídolo e lembrado na luta-livre já é o bastante, não acho que precise ser conhecido fora dos rings e tal mas Hogan e The Rock são os caras que agora são conhecidos como cultura mesmo. Undertaker e Shawn Michaels por exemplo podiam muito bem fazer filmes pois pelo menos o HBK eu já vi atuar em caracterização do Hogan (hilário por sinal) e se saiu como um perfeito ator. O Taker já fez papeis sempre sombris e ele não faz mais nada e tal pois ele segue tanto seu personagem que ele mal apareçe em fotos no backstage ou fora do ringue.
    Bom texto que nos faz refletir muito sobre o problema atual da WWE.

  3. muito bom Mateus, vc abordou um assunto recente que atrai pelo tema. Sou daqueles que acredita q um artigo de blog n precisa ser necessário rolar várias e várias vezes a track do mouse pr isso…. bem escrito e fácil de entender

    parabéns!

  4. Para mim, a imagem de ícone é muito subjetiva. Depende muito do objetivo que você tem ao estar assistindo a um show de luta-livre. Não existe um perfil que você possa bater e dizer que alguém vai ser um ícone seguindo-o. O que eu vejo claramente é que ícone é alguém que tem algo fora do comum. E esse algo fora do comum a ser notado depende diretamente do objetivo que citei no começo do comentário.

    Há fãs de luta-livre que acompanham pela graça do entretenimento, que pode ser ressaltada em relação aos grandes golpe que alguns lutadores são capazes de fazer. Esses fãs têm, normalmente, como ícones pessoas de mais imponência dentro do ringue, geralmente com um cara extra-ordinário. E aí entra a manutenção de nomes como Triple H, Batista, John Cena e Hulk Hogan no topo dessa indústria por tantos anos. Atualmente, o perfil de fã é o que pede por entretenimento, não por bons combates. E esses quatro que citei podem dar entretenimento, apesar de serem fracos dentro do ringue.

    Já, em outro tipo de perfil de fã, há pessoas que preferem assistir a um grande combate a acompanhar pessoas com entretenimento no sangue. É o tipo de fã que vai curtir as federações japonesas e lutadores que estão ali para lutar mais e falar menos, mas sempre com uma gimmick/storyline muito bem tramada. No meio de fãs como esses, surgem como ícones nomes como Chris Jericho, The Great Muta, Mitsuharu Misawa, Kenta Kobashi e etc…

    Na minha visão, tudo depende do público-consumidor que você está buscando. E é justamente por isso que não critico, de forma alguma, o Vince McMahon. O chairman da WWE é extremamente inteligente ao ponto em que utilizou o público visionário de cada época.

    No começo, ele buscou storylines mais fanfarronas, mas bem feitas, visto que algo como a WWF para a sociedade dos anos 1980 era extremamente inovador. Assim, surgiram ícones como Hulk Hogan (o mítico homem super-forte) e Randy Savage (o cara trapaceiro que se garante no ringue), que conseguiam manter o foco do público nos papeis que lhes foram designados.

    Na Attitude Era, a WWF precisava matar o público da WCW e da ECW de uma vez só. Juntou as inovações (que muitas vezes deram em bizarrices) da WCW e a loucura da ECW… Nesse período, surgiram lendas como Stone Cold Steve Austin e The Rock.

    E agora, infelizmente, o público busca o entretenimento. E querendo ou não, o Vince deve olhar para o público americano, que é o que lhe dá lucros. Sendo assim, temos de aguentar John Cena, Batista, Jeff Hardy, Triple H e Randy Orton (esse último que já foi muito bom, mas que hoje se acomodou na posição de main-eventer e não consegue mais grandes combates) dominando os seus respectivos shows…

    …e calados.

  5. Fico muito feliz pelos comentários. Concordo com as críticas pelo tamanho do texto. Como eu escrevi minutos antes do trabalho, acabou saindo um pouco apressado. Vou tentar consertar isso ainda hoje 🙂

  6. Eai Mateus. Resolveu aparecer por aqui então, hehehe.

    Sinceramente gostei muito desse espaço. Acho interessante textos curtos assim, porque você passa a idéia, com discussão e desenvolvimento rolando nos comentários…

    Escreveu muito bem e com um tema interessante, passou a opinião em poucas palavras….

    Acho que ícones na luta livre são poucos. Para mim o título de “ícone” é para aquele lutador que tenha feito algo espetacular, que marcou época e verdadeiramente mudou o rumo de uma federação, ou da própria luta livre…

    Quando se fala em Wrestling, não tem como não citar Hulk Hogan. O cara é o ícone mór. Seja lá onde esteja ou com quem fale, O velho careca que rasgava camisa é lembrado. Com ele o wrestling ganhou uma nova cara, foi um gênio.

    E o ícone tem que passar o bastão com o tempo não é? hehehe, assim foi com André para Hogan, de Hogan para The Rock, de Rock para Cena… Isso claro, tratando de WWE.

    O John Cena é complicado falar né. Vende produtos que nem água, é muito carismático, tem uma técnica razoável – e nada diferenciada – e é um grande “trabalhador”…. Mas não sei, ele não tem a explosão, o diferencial, o que marca como The Rock, Hogan, Bret Hart, e tantos outros tinham. O próprio Shawn Michaels e Undertaker, quando estavam de molho, causaram uma falta imensa….

    …Talvez seja questão de público e gosto, como nosso amigo acima falou muito bem… Público alvo, produto especifico.. Só sei que ícones e lendas não podem ser produzidas e jogadas goela abaixo dos fãs. Isso é ao acaso…. Nínguem falou para o Hogan -“Você vai ser um ícone do Wrestling”-.. Ele se agarrou nas oportunidades e mostrou que tinha o diferencial, por isso até hoje é lembrado como o grande nome da luta livre americana…..
    … E isso o Cena não tem, ao meu ver…

    Muito bom Mateus, que continue com esse espaço e apareça mais por aqui, hehehe
    Abraço

  7. Gostei de sua estréia, texto muito bom, apesar de curto, mas fácil de ler.
    Esses grandes heróis da luta livre são feitos de preparo e talento. O Cena faz o papel dele, que não acho mal feito, porem o público mais jovem/adulto não gosta de sua gimmick voltada para o público criança/adolescente.
    O Hogan era voltado para todas as idades, com a gimmick de patriota que queria salvar os americanos das maldades. E o The Rock tinha o jeito único e elétrico que o deixou tão famoso.
    A WWE tem grandes wrestlers com potencial e talento. Cabe saber se a WWE quer ver esses grandes nomes como verdadeiras lendas.
    John Morrison é um exemplo que esta ai, para todos ver.

  8. Gostei do texto, bem escrito e com opiniões claras e fáceis de ler…

    É legal o assunto, é o que falaram… Antes tudo era original, algo como o Hogan era uma surpresa que chamava a atenção de todo mundo…

    Agora nem tudo é tão original, as pessoas não se surpreendem mais com alguem rasgando a camisa… Para existir um ícone que ultrapasse a fama do ringue é preciso de algo totalmente novo e maluco… sei lá algo que se torne mania mesmo…

    Mas isso requer um investimento pesado na própria federação, coisa que é arriscado… Investiram tanto no Cena, mas ele não está se firmando como uma lenda importante no wrestling e nem está com reconhecimento em outros entretenimento…

  9. Pois é… esse lance de oportunidade pode também rolar de diferentes formas, na cosntrução de um ícone.

    Como o Corba disse, Hogan agarrou sua chance e mudou a WWF. Agora de lembrar-mos da estréia de The Undertaker, parece que ele já entrou para SER UM ICONE, estreiou num dos mais importantes PPVs da empresa e sendo anunciado por ninguem mais , niguem menos que TedDiBiase. Mas é obvio que se ele não fosse o extraordinário lutador que é , nunca teria alcançado esse status de hoje. Cada caso é um caso, mas sempre chegamos no ponto da oportubnidade e de como aproveita-la.

    Tema muito bom de se discutir, mas te achei timido no post.

    Abração….R.I.P!

  10. Mas Undertaker pode ser uma das lendas máxima do wrestling… Mas é do wrestling, por que vamos ser francos… Undertaker não teve participação em outros entretenimentos tão marcante assim…

    Até mesmo em paródias de luta livre como em desenhos filmes e seriados vemos sempre o “milionário, o cara igual o Hogan e etc” eu nunca vi o Coveiro…

    apesar de seu recorde em WM ser reconhecido até por comissões esportivas, é difícil encontrar alguém que conheça o Undertaker sem ter visto luta livre, diferente do Hogan… E não é só pelos filmes dele, é só ver o tanto de paródia que fazem desse personagem que ele criou o que não vejo com o homem morto…

    Mas talvez seja por que naquele tempo a luta livre estava no auge ou como disseram por ele ser mais antigo então ter mais gente pra lembrar… Agora o Shawn sim, que eu saiba não é ícone pop fora do universo do wrestling… Mas não moro nos EUA para saber a que grau de fama tem o HBK e o Taker…

  11. Sim Raposa, eu disse foi isso mesmo, dentro do wrestling. Pelo que podemos ver,Taker e HBK devem ser famosos sim, pelo menos onde a WWE já fixou audiencia.
    Creio que nos EUA eles devem ter um grau altíssimo de fama, mais de que em qualquer outro país.

  12. É, a falta de novos ídolos é algo que sempre me pareceu o maior “problema” da luta livre atual, e eu até dou uma faladinha sobre porque de achar isso no texto que postarei logo…acho que falta um tempo propício pra criarmos um ídolo, não é apenas no wrestling, acontece em vários outros campos…temos grandes popstars, mas não grandes ídolos da atualidade. Todos passam muito rápido, não tem tempo pra se firmar com o mesmo status que caras de décadas atrás…
    Michael Jackson, Madonna, Marilyn Monroe…falo desse tipo de ídolo, de ícone, que os dias atuais não criam mais.

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