Jack Stunner: Início, Desenvolvimento e Conclusão.

A Jack Stunner se trata de opiniões diretas sobre fatos recentes no mundo do wrestling. Mais do que uma coluna, o Jack Stunner é um espaço de discussão. Como tudo é explicado de forma breve (ao menos em comparação as JOM’s rs), o espaço para a argumentação é enorme (ou não).


A primeira vez que ouvi falar em BWF, foi no ano de 2008. Com a WWE recém-chegada ao Brasil, vários fãs saíram de suas tumbas e ligaram seus computadores para a criação de sites sobre o assunto. Parecia um sonho. O que antes era acessível para alguns e no máximo reunia pessoas em redes sociais, agora contava com sites que pretendiam mostrar opiniões, trazer notícias e, é claro, unir e cultivar fãs do então “esporte-entretenimento”.

Nesse paradigma, dois sites se destacaram: O WWEBRASIL.COM (Hoje PLL) e o WWEBRASIL.ZIP.NET (Hoje… GRTR?????).

Eu já gostava de wrestling desde a minha infância, mas nunca tive tanta informação sobre o mesmo como naquela época. Acostumado a não conhecer ninguém que compartilhasse do meu gosto, buscava nos downloads a 56k (do velho U.S. Robotics) os main-events que conseguia encontrar no NAPSTER/KAZAA (Um mês pra baixar Undertaker vs Kane, dois anos depois que a luta aconteceu). Mas agora era diferente, com a WWE no Brasil e os sites brasileiros, eu tinha a faca e o queijo na mão.

Enquanto o WWEBRASILZIP, do grande camarada Augusto, se destacava por focar somente em opiniões (E as reviews dos shows), o WWEBRASIL era uma magazine. Notícias, informações e o Podcast. O Podcast. Foi ali que tudo começou.

Eu já escrevia para o WWEBRASILZIP e até participava de um podcast bem primitivo sobre a WWE, mas foi em um podcast do WWEBRASIL sobre a própria WWE que escutei falar sobre o capoeirista Kid Abelha, o matador Aquiles (que mordia testas) e Nino Mercury (Que havia sobrevivido a fatídica queda da ambulância). Minha memória piscou e me levou direto aos Campeões do Ringue na Record, em uma época onde incrivelmente eu era fã do Ratinho e morria de rir com o Azulão. Enfim, naquele momento descobri que o “Telecatch” ainda estava vivo e decidi que iria procurá-lo.

Logo soube que o Telecatch não tinha programa televisivo. Quero dizer, até tinha o Supercatch com o Bob Léo, mas não em minha cidade. Porém, existia um programa de debate sobre a luta livre na AllTV e ele seria o meu elo com o Wrestling em solo nacional. Não havia possibilidade de aparecer aos sábados às 14h, mas graças ao arquivo do WWEBRASIL, conseguia acompanhar os programas semana após semana.

Como aconteceu com muitos, quando assisti pela primeira vez achei tudo basicamente tosco. Depois, entrando em contato com as pessoas do show e finalmente participando do chat do BWF Combate, minha visão foi mudando.

Entendendo como tudo acontecia e conversando com os lutadores, deu para entender todo o esforço que havia por trás do show. Também entendi a técnica e as limitações que os atletas e organizadores precisavam aceitar para a produção do combate. Na verdade entendi que a chave para o sucesso da Luta Livre Nacional seria justamente a proximidade entre os fãs e o show. Dito e feito.

Muita coisa aconteceu de lá pra cá. Tornei-me um fã incondicional de Nino Mercury, virei freqüentador assíduo (agora não mais, infelizmente) do chat da BWF e procurei entender o máximo possível de nossa história. Conversei com pessoas que assistiram a era dourada, procurei vídeos na internet e até consegui realizar em 2009 o sonho de acompanhar um show de Wrestling ao vivo. Participei presencialmente daquele mesmo BWF Combate que sempre assistia e ainda fui convidado para aparecer no Ultimo Round, programa antecedente ao da BWF que trata sobre esportes de contato.

Conheci o Nino Mercury, que por consideração a minha ida a SP, fez o possível e o impossível (desmarcou compromissos) para me conhecer. Peguei carona com Caipira Dom Afonso, que, incrivelmente, me fez rir com a velha piada de “Não posso comer minha mulher. Meu médico me proibiu de comer gordura”. O tal caipira que nas nossas poucas horas juntos me cativou com o carinho, a humildade e a simpatia. Me assustei com a cara de mal do Nocaute Jack e me surpreendi com a simpatia do Mano John.

Nino, Jack e Caipira Dom Afonso

Nino, Jack e Caipira Dom Afonso

Tive uma aula (teórica) sobre luta livre com Mister Argentina e Diabo Loiro. Descobri quem era a Caveira Killinger. Subi em um ringue e ajudei a desmontá-lo. Tudo em um final de semana.

Vi o Igor Lopes se tornar um dos “maiores” lutadores do país, além de um dos fãs mais apaixonados como já o era. Conheci Marcos Amaral e constatei que os dois são gente boa demais.

Vi o programa Telecatch nascer. Vi atletas surgirem. Vi lendas tão queridas nos deixando com tamanha dor. Vi aquela realidade onde somente eu ,o PLL e o Raposa (fã assíduo e fiel da luta livre. E briguento também rs) produzíamos material de Luta Livre Nacional deixando de ser verdade. Vi até mesmo o nascimento de um site especializado.

Marcos Amaral, Jack e Igor Lopes

Marcos Amaral, Jack e Igor Lopes

Vi lutas se organizando, regras sendo criadas e inovações no ringue. Vi títulos na luta livre nacional, vi cinturões!

Vi o retorno de grandes lutadores, vi o número de fãs aumentando, vi lutas históricas acontecerem e vi o ringue desabar após um superplex. Vi shows com ótima produção e vi quebradas.

Diabo Loiro e Jack

Diabo Loiro e Jack

Vi críticas bem fundadas colaborarem demais com a melhoria do show. Aliás, foram tantas melhorias em tão pouco tempo me perco só em pensar.

A Federação que antes era ridicularizada, hoje é exaltada como o futuro do país. A união entre a modernização e a tradição. Hoje me olho no espelho e dou um sorriso, orgulhoso de ter sido mais do que testemunha, mas parte de tudo isso. Parte sim, porque sei que mesmo somente com palavras e imagens me tornei BWF. E você que assiste os shows, você que comenta, você que a apresenta aos seus amigos, você é tão BWF quanto eu. É tão BWF quanto o Bob Jr. BWF somos todos nós.

Infelizmente vi pessoas que nunca deixaram de reclamar. Parece que nunca repararam na evolução que aconteceu nesse espaço curto de tempo e onde isso pode nos levar. Mas não me importo com isso.

Hoje a BWF tem um campeão nacional, coisa que nunca vi na Luta Livre Brasileira (exceto o cinturão do Bob Léo) e por isso a hora é de comemorar. Se o cinturão é bonito ou não, não importa. Pra mim ele é lindo porque ele é a materialização, a realização de todo um processo que vem ocorrendo há longos meses. Esteticamente pode melhorar, é claro, mas sendo o primeiro é completamente compreensível. Como em todas as coisas da vida, a primeira vez nunca é a melhor, mas sempre é inesquecível. E quem não entende isso, é porque não teve a primeira vez. E nesses casos a expectativa exagerada só atrapalha.

Mano John, Jack e Mister Argentina

Mano John, Jack e Mister Argentina

Que essa minha coluna seja uma manifestação de agradecimento e uma parabenização a todos envolvidos no projeto BWF: Continuem assim, trabalhando sério e elevando o nível do nosso esporte no Brasil. Enquanto vocês estão no ringue, nós estamos de olho. Enquanto vocês continuarem dando show, nossas palmas serão eternas.

Jack e Bob Jr

Jack e Bob Jr

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20 comentários em “Jack Stunner: Início, Desenvolvimento e Conclusão.

  1. Sinceramente, já faz quase um ano que não pude assistir sequer novamente, um programa da querida BWF (Puts, Vimeo é horrível aqui)

    Mas no tempo em que eu acompanhava, via a luta livre nacional dar um passo a frente novamente, nos proporcionar momentos excêntricos novamente, e além de tudo, vi melhorias sendo proporcionada por algo que já foi enorme em nosso país.

    A BWF deve ser algo querido de todos os fãs, pois vejo ela, como um grande exemplo, e orgulho da luta livre nacional. Algo que trato com carinho, e que sempre teve a minha admiração.

    De mim, resta apenas parabenlizar a empresa por esse desenvolvimento tão repetino e magnífico por parte das pessoas que querem o melhor para o público. Desenvolvimento na estrutura, na base das lutas, exatamente tudo, a BWF quer dar o melhor para os fãs, e isso me faz feliz. Cinturão foram feitos, realmente não importa aparência que foi resultada, mas sim os sentimentos que tal peça foi criada.

    A BWF é algo que deve ser tratada com amor por todos nós, e algo que todos os fãs, que um dia vibraram por ver grandes lendas na TV, ver essa nova geração tentando mudar o que foi tudo arruínado.

    E que visita hein Jack, pelo vibração, e pelas fotos, parece-me que fizestes boa aventura por lá. Meus parabéns mesmo pelo o texto Jack (É ótimo dizer isso) é bom saber que a luta livre nacional possui admiradores, como você. Bem vindo de volta, e espero que não os perca de vista novamente :D.

    Abraço.

  2. Cara, ótimo !! Vc teve muita sorte de conhecer, tirar fotos, presenciar esses caras… Eu sempre tive vontade de ir em um Show da BWF !! Já aconteceram vários pertos aqui de minha casa no Parque Ecológico do Tietê que fica apenas de 10 à 15 minutos de ônibus , e até hj nunca fui em um , mas creio que um dia irei presenciar esse espetáculo que é gerado por eles, por nós, por TODOS …

    • Rickie,

      Eu fui justamente no Parque Ecológico. Lugarzinho bacana. Fui de metrô e voltei de carona com o pai do Igor. Aliás, uma família que só tem gente boa. Pessoal se apertou no carro pra me dar a carona!

      🙂

  3. Não sei se esse post teve haver com a conversa que agente teve, eu acho que sim…

    Espero um dia fazer a mesma viagem que vc fez, conhecer essas pessoas, esses lutadores, e finalmente poder ver um show de wrestling ao vivo.

    A grande final da BWF entre Xandão e o Mano John foi muito boa, os dois deram um show no ringue, e dali saiu o primeiro campeão brasileiro, fato histórico nesse país. Sobre o cinto concordo com tudo que vc disse.

    valeu pelo texto e pela força!

  4. Parabéns pelo retorno e por esse seu incentivo para a luta livre nacional. A BWF não tem os efeitos de uma WWE, mas tem todo o esforço para reerguer nossa luta livre.

    • Não tem os efeitos de uma WWE, nem da TNA, nem do ROH. Mas a BWF também é a mais nova de todas.

      Quem sabe, e só talvez quem sabe, um dia ela não chega lá?

  5. Eu era um desses que criticava muito a BWF, não era de ir em blogs reclamar mais sempre tinha aquele preconceito por ser Luta Livre do Brasil e essas coisas, mais esses caras todos conseguiram me mostrar que eu estava errado, a motivação e a força de vontade em fazer a LLB crescer denovo me fez adimirar a BWF, a evolução que a BWF teve em 1 ano foi monstro e tem uma coisa que as outras não tem a interação com os fãns Muitas mudanças vieram disso,Continuo acompanhando a BWF e torço para que cresçam cada vez mais,estão no caminho certo 😉

  6. Não sou briguento, o problema é com o resto das pessoas e não comigo heheeh!

    Mas sério, até hoje todas brigas que tive pelos blogs, nenhuma fui eu que comecei…só continuei elas 😄

  7. Eu to no caminho inverso, enquanto muitos começam a ver agora, por causa dessa evolução e melhora nítida, eu via na época que era um pouco pior e parei agora, não sei bem o porque. Mas agora com tudo isso, despertou meu interesse de novo e agora voltarei a ver sempre que possível! E aidna vou num show da BWF aqui, sempre que tem dá merla e não consigo :S

    Belo texto, e realmente deve ser uma honra conheçer “nossos” Undertakers, Shawn Michaels, Hulk Hogans, etc…

  8. Grande Jék

    Muito bom cara… Eu já te disse como te invejo por ter presenciado um show ao vivo da BWF, conhecer os lutadores, ver grandes nomes, grandes lendas, um momento fantástico. Infelizmente estou fora do “grande centro” e fica quase que impossível eu acompanhar um show desses, mas com certeza é um dos meus sonhos….

    Lembro que quando começou a “explosão” do projeto BWF na internet, discutíamos muito sobre os rumos que poderiam tomar e tudo mais… E depois de todo esse tempo, com a BWF se consolidando, posso dizer que nossas expectativas foram alcançadas, mas sempre estamos ansiosos pra acompanhar mais e mais luta livre brasileira de qualidade….

    Abraço Leleske.

    • Tu é novo, desimpedido. Faça logo essa viagem brother…

      Realmente, muito do que conversamos virou realidade. Isso dá ainda mais força para sonhar novos sonhos, sabendo que talvez em breve eles possam se cumprir.

      Um abraço ae muleke piranha rs.

  9. ótimo bom ver que mesmo com os brasileiros (nózes no caso) vendo WWE, vendo TNA, de vez enquando espiando AJPW, NJPW, CMLL e AAA e curtindo 1 indy de vez em quando tem tempo p/ lembrar das empresas brasileiras mesmo assistindo programas das empresas com simplesmente as MELHORES estruturas do mundo.

  10. Jack,mesmo atrasado ,meus parabens,estava muito dificil de entrar e deixar comentarios,mas lendo as suas palavras nao resisti,estava meio decepcionado com alguns comentarios,pensando ate mesmo em parar,mas vc pode ter certeza que atraves das suas palavras esta ideia mudou.Li alguns comentarios seus dizendo que estava decepcionado com algumas situacoes,se for com alguem da BWF ,por favor fale comigo,pois faco questao de resolver este mau entendido .Vc sabe que as portas da BWF sempre estara aberta para vc.Pode mandar para o meu email.Um forte abraco e fique com Deus

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