Cinco Rounds #3 – StrikeForce 30: Cyborg vs Diaz

Um evento acima da média, o StrikeForce 30 trouxe como main event o duelo entre Evangelista Cyborg e Nick Diaz pelo cinturão do Meio-Médio, e a disputa pelo cinturão dos pesos médios envolvendo Jacaré e Robbie Lawler. Confira tudo o que aconteceu e muito mais.

O StrikeForce atualmente é visto como a segunda maior organização de lutas do Estados Unidos. Possui nomes que são valiosos como marcas, dentre eles os mais famosos atualmente são Fedor e Overeeem.  Independente do que for, o objetivo de todos é sempre se tornar o número 1 aquilo a que se propõe, e vejo uma enorme vontade da organização deste evento em chegar ao topo, e a estratégia para alcançar este objetivo pelo o que vejo é acertar exatamente onde o UFC peca. Em fóruns de MMA muitos já reclamaram da falta de produção nas entradas dos lutadores do UFC, eis que o StrikeForce proporciona entradas estilosas, e acho muito louvável esta produção com fogos. Outro destaque vai para o momento em que se introduz o main event, eles realizam um bom o jogo de luzes focando-se no ring announcer. O contra ponto e que favorece o UFC se direciona para apenas uma pessoa, Bruce Buffer, que é um showman a parte. Ainda assim, além da produção, eles também estão acertando em outras coisas, porém isto você acompanhará ao longo da análise e tenho certeza que concordará comigo.

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Roger Gracie vs. Trevor Prangley – Light Heavyweight Division

Aos que estavam com saudade de ver uma dominação do jiu-jitsu em um evento de MMA, eis aqui a luta certa para abrir tal o show televisionado. Para honrar o nome da família Gracie, Roger Gracie e Trevor Prangley iniciaram o combate se estudando, e até demais. Resultado disto? Por longos dois minutos tivemos uma luta parada com dois alunos sentados em uma carteira lendo livros invés de um combate de MMA… O público começou a vaiar, entretanto a história mudou quando o Gracie conseguiu derrubar seu oponente e iniciou seu trabalho de solo, sem dar chances a Prangley de se levantar. E no menor deslize, Roger Gracie conseguiu ir para as costas de seu oponente e aplicar um lindo mata-leão, encerrando a luta aos 4:19 do primeiro round sem levar golpes contundentes, assim como sem aplicar, apenas na base da submissão. Boa vitória para adicionar a carreira do invicto Roger Gracie, embora o mesmo só tenha 4 lutas…

Ver um Gracie brilhando é sempre muito bom, será que teremos um novo Gracie que se aposentará invicto? Apesar do cartel ainda inexpressivo, eu torço para que sim, afinal de contas o nome Gracie é uma marca registrada do jiu-jitsu, ele merece respeito e destaque. O combate em si não foi muito grandioso, não teve “ação”, não a ação que estamos acostumados a ver, fora apenas um jogo de estratégias, onde o jiu-jitsu prevaleceu. Não sei qual foi a real intenção do sujeito que casou esta luta, entretanto vejo apenas como um ponto adicional ao cartel de Roger, não como algo lá muito expressivo. Continuemos com o evento…

Herschel Walker vs. Scott Carson – Heavyweight Diviision

Existem diversas expressões para diversos tipos de combates. No menu de hoje temos “estupros”, “massacres”, “passagem do rodo”, “atropelamento”. Escolha uma dessas e sirva-se a vontade, pois é disto que essa luta se trata. Com cara de poucos amigos Walker iniciou sua segunda luta no StrikeForce mostrando a que veio e acertando um soco de esquerda na têmpora de Scott, que logo caiu trazendo a luta pro chão. Walker continuou acertando socos fortes em seu oponente para machucá-lo, já que Scott se encolheu e colocou a cabeça dentro do casco. Ele até tentou se levantar, porém levou um half belly to belly suplex, então Scott optou pela estratégia casco de tartaruga, novamente. Levando socos nas costelas, e já sentindo que a situação estava desfavorável, Scott tentou se levantar novamente, porém desta vez levantou para cair definitivamente, pois Herschell aplicou uma série de socos indefensáveis forçando o árbitro a encerrar o combate aos 3:13 do primeiro round.

Esta luta serviu para manter o ritmo do evento que começou a 100 por hora, infelizmente não terminou por submissão… Entretanto é uma vitória bonita de se ver, o amplo e total domínio sobre o oponente é algo que dá moral para o lutador, e nesses dois primeiros combates, Herschell e Roger Gracie fizeram isto, e fizeram muito bem feito, sem se machucar e seguindo a estratégia corretamente.

Jacaré Souza vs Robbie Lawler – StrikeForce World Middleweight Championship

Apesar de terem direito a lutar por 5 rounds de 5 minutos, nos primeiros segundos eles não mostraram muita vontade de deixarem o vencedor ser decidido pela decisão dos juízes. Mas só nos primeiros segundos, quando ambos estavam tentando impor seus jogos. Lawler demonstrou ter mãos pesadas com socos destruidores, entretanto Jacaré soube se esquivar de muitos e absorvê-los. Aproximadamente na metade do round Lawler derrubou Jacaré conseguindo ficar por cima, e por lá ficou até encerrar o round marcando pontos. Isto frustou minhas expectativas para esta luta… Quando terminou este round, eu logo me perguntei: Vocês não queriam encerrar logo?

No segundo round, Jacaré viu que as coisas podiam ficar complicadas para ele, então a melhor maneira de equilibrar seria fazer o mesmo que Lawler fez. Vencer o round seguinte, e a melhor maneira que ele encontrou para tal foi a pior possível, amarrando… De começo Jacaré derrubou Lawler e ficou por cima estabilizando até o último minuto, quando finalmente resolveu partir para uma submissão, demonstrando um show de jiu-jitsu e defesas, o público que antes vaiava foi ao delírio, infelizmente Lawler conseguiu escapar de todas…

As coisas agora ficaram animadas, e pro terceiro ainda não é tudo ou nada, mas agora com o placar empatado, o brasileiro descobriu o caminho para a vitória, e depois de uma trocação inicial, Jacaré botou Robbie Lawler pra baixo e na menor brecha encontrada ele foi para as costas e aplicou um legítimo mata-leão, forçando seu oponente a dar tap-out! Linda vitória, vangloriando a arte suave! Menção honrosa para os socos de Jacaré que machucaram o rosto do desafiante. Jacaré continua o campeão da divisão, WHO’S NEXT?

Duas submissões e nocaute, eu até diria que o evento está sensacional, porém me restrinjo a concluir que está apenas bom, afinal de contas não houveram “disputas” propriamente ditas, ouveram dominações por round, e isto não traz muito espetáculo. Roger e Herschell simplesmente dominaram completamente suas respectivas lutas, nesta Jacaré e Lawler até trocaram socos, porém optaram por manter um ritmo lento pela maior parte do tempo.. . Ainda assim o evento está bom, contudo há uma observação que merece ser notada:  O público presente neste evento gosta de “porradaria”, no menor segundo que os lutadores param para se analisar ou descansar já surgem vaias… Sabe o que eu acho sobre isto? MUITO BOM!

Nick Diaz vs Evangelista Cyborg – StrikeForce World Welterweight Championship

Estudar seu oponente, quando fazê-lo? Vejamos, com todos os seus fãs gritando seu nome, Nick Diaz apanhou por um bom tempo de Cyborg no primeiro round enquanto o estudava. Essa estratégia foi muito arriscada, ele teve sorte afinal de contas os socos de Cyborg não eram muito pesados, entretanto os low kicks balançaram com a sua estrutura. Depois de passada a metade do round Diaz resolveu mostrar serviço e tentou equilibrar as coisas sendo mais contundente para vencer o round, porém creio não ter conseguido a tempo, entretanto avaliando melhor creio que conseguiu empatar o round, 10-10.

Para o próximo round, o confronto continuou de pé, eles não esboçaram a menor vontade de levar para o solo. Cyborg continuou com low kicks, eu sinceramente não achei a estratégia muito acertada, afinal de contas Diaz continuou avançando… Um high kick seria bem mais eficiente, psicologica e ficisamente, pois rápido ele é e mostrou isso no começo do primeiro round. Fica o recado para o Cyborg, acertar a cabeça de cima pode trazer em nocaute, a de baixo pode trazer desqualificação… Eles seguiram trocarando socos, jab pra lá, cruzado pra cá… Diaz levou a melhor na maioria, porém Cyborg também acertou bons socos, embora não tenham surtido efeitos, afinal Diaz demonstrou um queixo bem resistente. No último minuto de luta Cyborg finalmente resolveu levar a luta para o chão, e Diaz não dificultou, e Cyborg levou a pior, porque Diaz é muito bom neste setor, ele tentou submissões até conseguir encaixar um armbar indefensável, forçando o árbitro encerrar a luta faltando 10 segundos para o fim do round, outro golaço do jiu-jitsu!!!

Considerações finais:

Um belo evento de MMA, eu diria que foi o melhor do ano até agora, entretanto prevejo que depois do UFC 126, 127, e dos eventos que contarão com o GP da Heavyweight Division do StrikeForce, não conseguirá nem ficarn o TOP 5 de melhores do ano. Mas ainda assim foi muito bom, o Jiu-Jitsu teve uma vitória linda sobre as outras artes aplicando 3 golaços, um mais lindo do que o outro. O público contribui bastante para este evento, este é um fator adicional que de certa forma peca no UFC. Há algo lá que faça o público ser mais tolerante, eu não entendo o motivo disto. Quanto mais exigente eles forem, maior será a tendência de casarem combates que favoreçam a ação, seja ação no solo ou no chão. É de se estranhar que Jacaré e Robbie Lawler não tenha tido tanta ação assim e tenha se resumido entre inversão de quem domina. No geral, eu diria que o evento foi bem sólido e entreteve-me, recomendo e dou nota 8! Fevereiro promete eventos muito melhores, é só aguardar para ver, um abraço a todos e aqui me despeço.

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13 comentários em “Cinco Rounds #3 – StrikeForce 30: Cyborg vs Diaz

  1. Comentando rápido, achei bem legal a análise. Mesmo eu não acompanhando Strikeforce, sua análise me fez sentir como se conhecesse todos ai, e como não usou uma linguagem muito técnica (chata) ficou muito bom de se ler.

    Agora é esperar pro que realmente pode ser O evento, UFC 126… Jon Jones, Griffin vs Frankin e principalmente, Belfort vs Silva. Minha torcida vai pro Belfort, afinal, o Silva está se achando O cara, o foda, e tem que se foder pra aprender a baixar a bola. E nada melhor pro Brasil do que ele perder pra um brasileiro, pois com isso, o título se mantém em posse brasileira. E também Belfort se torna um dos pouquíssimos a ter title em duas categorias diferentes, o que seria demais.

    Muito boa Criador!!

  2. Bom, mesmo eu tbm não acompanhando o Strikeforce (Na verdade sim, num canal à cabo, o Space, mas isso é de vez em quando, e ainda muitas das vezes são Shows de 3 meses atrás), eu li só pra dar uma descontraída e fazer um favor de comentar, depois de um trablho desses!

    Achei boa análise, e espero que a do UFC seja melhor ainda, com a luta de Belfort Vs Silva 😛

    • Ah sim, o bom e velho Space… hehe, no HBO Plus vai passar a luta do Fedor vs. Pezão, pelo GP dos Pesados, fica atento. Valeu pelo comentário, abraço!

  3. Analise perfeita… espero contar com as qualidades de suas analises no MMA … O Primeiro Cast de MMA do Get Ready To Rumble será gravado provavelmente Sábado agora, e sexta será gravado o que comentará o WWE Royal Rumble…

    Falando sobre o evento… Eu acho o SF um evento mais corajoso do que o UFC, prova disto, foi as duas disputa de Title no mesmo evento. E as lutas estão muito mais emocionantes que as lutas do UFC. Na minha opinião, isto ocorre pois os novos do SF querem mostrar seu valor ao sol(Sol tbm conhecido como UFC). Ja os mais experientes, que estão no UFC, querem mostrar que mesmo não estando no UFC, eles tem qualidade.

    Ótima analise, parabéns.

    Abraços.

    • Valeu cara, só acho pouquíssimo provável que gravem um podcast sobre MMA sábado, afinal de contas ninguém vai querer gravar tendo o UFC 126… Melhor deixar pra próxima, eu mesmo vou ver com a galera o UFC 126…

  4. Bom, eu ando acompanhando mais MMA do que Wrestling ultimamente, tanto StrikeForce quanto UFC, sobre o SF 30, não o vi ainda mas espero ver, pois vendo sua análise deu até água na boca de ver os caras na cage lutando.Realmente acho que o UFC Silva Vs. Belfort vai ser sem dúvidas um dos melhores shows de MMA da década, não só pelo Main Event mas também pela luta que antecederá o ME, que será entre Forrest Griffin e Rich Franklin.E ás vezes o Strikeforce me dá mais adrenalina do que o próprio UFC, pois acontece que no UFC estão os mais técnicos que se estudam mais que no Strikeforce, que os lutadores, ás vezes até recém-chegados ao ramo querem mostrar serviço e ás vezes peca em técnica e partem pra cima querendo finalizar seu oponente mais rápido possível, ás vezes não acontece e o próprio fica cansado e seu oponente acaba se aproveitando disso.

    Ficou ótimo o texto e deu pra ter uma noção do que foi o evento, que com certeza assistirei!

    • Não acho que seja porque no UFC os caras sejam mais “técnicos”, acho que porque a responsabilidade e a pressão lá são muito maiores, se o cara perde 2 lutas já fica na corda bamba, e se ele não tiver um nome já é demitido. Tem cara que com uma derrota já é demitido. Isso que é complicado, porque lá tem muito cara bom pra entrar no lugar de outros melhores ainda.

      E é isso aí mesmo, SF tem evento que é show de bola, depois que assistir comenta também dizendo o que você achou, valeu, abraço!

      • Acho que a grande diferença do MMA pro wrestling é isso. E não é bater forte, pois no Japão tem quase igual. A grande diferença é que no wrestling, se você jogar dois caras FODAS, querendo ou não, será uma lutaça. Já no UFC/MMA em geral, pode a luta acabar em 30 seg, e pode acabar por pontos, sendo uma bosta. Mas pode também ser a luta mais espetacular de todas. Isso gera expectativas altíssimas, mas do mesmo jeito que gera expectativas, pode frustrar MUITO!

  5. Boa cara, acompanho MMA a mais tempo que wrestling, mas Strikeforce mesmo só comecei a ver ano passado.

    Acho suas análises muito boas, leio todas, só que nunca
    comento. xD

    Espero que você anime de fazer a análise do UFC 126 desse sábado.

    • Valeu! Com certeza teremos a análise do UFC 126, só questão de saber se eu conseguirei fazer assim que assistir ou se estarei muito triste ou empolgado pra ficar no computador, hehehe. Abraços!

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