Cinco Rounds #5 – Strikeforce 31: Silva vs Fedor

Mais MMA para o blog de wrestling. Qual é a relação de um com o outro? Bem, no máximo é que ambos usam a pancadaria como forma de entretenimento. Por que eu estou publicando esta análise aqui? Bem, porque é um blog, e é para isto que servem os blogs, para nós deixarmos nossas opiniões sobre as coisas. Pois bem, se você não sabe de tudo que rolou no evento, leia o resto do post.

Existem diversas formas de se nascer uma lenda, mas quando estamos falando de MMA, existem 3 maneiras muito bem conhecidas: 1, estar invicto depois de enfrentar os melhores do mundo, Fedor chegou neste estágio ao ficar uma década sem perder. 2, Fazer um show durante o combate, sendo capaz de reverter lutas tidas como perdidas até o último round, qual nome se encaixaria aqui melhor do que Minotauro? 3, vencer os maiores nomes do mundo em um GP. Seria cedo demais para denominar Overeem uma lenda do esporte? Talvez, porém neste caminho que ele se encaminha, e aqui está uma grande oportunidade para firmar esse seu status que tem alcançado ao longo dos tempos.

Seguindo por esta linha podemos trabalhar do que se trata este Grand Prix dos Pesados no Strikeforce. A maioria dos grandes nomes do MMA se formou no Pride, porém uma boa parte desta maioria está se aposentando, afinal de contas a idade chega para todos. Então a estratégia a ser tomada pelos organizadores de eventos como UFC e Strikeforce é procurar por promissores talentos e ver se eles correspondem as expectativas. Antes de terminar este raciocínio, devemos colocar em mente também que no momento em que vamos encarar nosso oponente devemos acertá-lo onde ele está debilitado no momento, e é aqui que o Strikeforce tem investido, e nesta noite ocorreu uma super valorização da divisão dos Pesos Pesados. Com este pensamento fixado, podemos dar início ao que realmente foi o evento.

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Ray Sefo vs. Valentijn Overeem – Heavyweight Bout

Dois atletas com cartéis enormes, um possui mais de 50 lutas no MMA, enquanto o outro tem mais de 70 no Kickboxe. A grande questão que entra em jogo neste exato momento é que o duelo será nas regras do MMA, competição cujo Sefo possuía apenas duas lutas e respectivas vitórias. Independente das habilidades de Sefo, as deficiências falam muito mais alto nessas condições. Valentijn tendo uma notável experiência soube perfeitamente como trabalhar neste combate, e o resultado não foi muito diferente do esperado. Depois de ambos se estudarem, Overeem utilizou de sua velocidade para esquivar-se de alguns golpes de Sefo e aplicar um chute que o deixou nas condições ideais para aplicar uma queda perfeita, que se seguiu com uma chave na cervical próximo da grade, forçando-lhe a dar tap-out com menos de 2 minutos de luta. Não tivemos ação alguma e esta luta teve tanto impacto e relevância ao evento quanto uma entrevista. E, diga-se de passagem, ocorreram mais entrevistas do que lutas ao longo do evento, entretanto isto é bastante justificável.

Chad Griggs vs. Gian Villante – Heavyweight Bout

Sem trazer muita expectativa para este combate, Griggs é um lutador rápido que visa o nocaute, tendo no seu histórico uma grande maioria de vitórias por nocaute, enquanto Villante fazia sua estreia no Strikeforce. Não acredito que ambos possuam muitos fãs, porém se você que está lendo gosta do estilo Vaca Louca que quer decidir a luta no primeiro round, eis seu novo ídolo, Chad Griggs. Nesta luta faltou um elemento primordial, a mesa com duas garrafas de cerveja. Foi uma legítima briga de bar, sem técnica alguma e com muita diversão. Ambos deram início a trocação franca e expondo o rosto reciprocamente. Logo não precisa ser um gênio pra adivinhar que venceu aquele que soube melhor absorver os golpes.

Villante conseguiu aplicar um chute fortíssimo que cortou a orelha de Griggs, mas em contrapartida recebeu o soco que lhe fez cair, e mesmo tendo se recuperado e levantado, ainda fragilizado levou um direto de direita que o nocauteou.

Shane Del Rosario vs. Lavar Johnson – Heavyweight Bout

Uma das promessas para o futuro da divisão dos pesados, Del Rosario enfrenta neste combate um lutador relativamente duro e experiente. Rosario objetivou o ataque logo de imediato, porém Johnson resolveu acalmar as coisas partindo para o clintch ao perceber que os socos de Rosario são mais fortes que aparentam ser. Johnson levou a luta pro chão caindo na guarda de Shane, mas a grande diferença é que Del Rosario representa o futuro da divisão dos pesados e teve a boa resistência e jogo de solo apurado o suficiente para sair da posição desfavorável e começar a trocação de pé. Seus socos não demoraram a fazer efeito deixando Johnson cansado e amedrontado, como conseguência Rosario sentiu-se confiante o bastante para atacar enquanto Johnson que não teve muitas condições de se defender. Rosario levou a luta pro solo, passou a guarda de maneira extremamente fácil e tentou nocautear, entretanto Johnson utilizou seus braços para se proteger, entretanto deixou o braço livre o bastante para Rosario encaixar um armbar efetivo forçando Johnson dar tap-out em 2 segundos.
Acredito que os ligamentos de Johnson devem estar tão enferrujados quanto o de uma pessoa com artrite, talvez isto justifique o fato de ele não ter nem tentado defender a submissão Independente do que foi, uma vitória a mais para o cartel de Rosario que demonstrou ser uma promessa da divisão dos pesados.

– Até então o evento não foi ruim, demonstrando ser bem superior ao que foi o UFC 126. Apesar da primeira luta ter sido inexpressiva, o segundo combate e o terceiro trouxeram algo a adicionar nesta edição do Strikeforce, diria eu que dá para seguir, embora o que realmente interesse venha a seguir;

QUARTAS-DE-FINAL DO TORNEIO DOS PESOS-PESADOS

Andrei Arlovski vs. Sergei Kharitonov (49)

Dois experientes lutadores que fizeram nome no Pride e agora estão contribuindo para elevar o nível deste torneio, 49 e Arlovski trazem para este evento um pouco de trocação ágil e com técnica, diferentemente do segundo combate do card principal. Arlovski possui seu ponto fraco muito conhecido pelos seus oponentes, então sua estratégia visa o ataque total e se esquivar o máximo que puder. Ele tradicionalmente entra na guerra com uma M16, porém com esse queixo de vidro que possui, ele também entra na guerra sem capacete e colete a prova de balas, o resultado disto é óbvio e Kharitonov aproveitou-se dessa falha. Andrei começou a todo vapor distribuindo tiro pra tudo que é lado, porém os poucos uppercuts que recebera foram suficientes para demonstrar sua fragilidade. Arlovski caiu, e o 49 fez o serviço de uma 47 com os punhos, deixando Arlovski com seu protetor bucal de vampiro à mostra e olhos abertos caídos no hexágono. 49 avança para as semifinais e enfrentará, acredito eu, Josh Barnett.

Antonio Silva Pezão vs. Fedor Emilianenko

Existem lendas, como Fedor, e existem lutadores subestimados, como Pezão. Quando ocorre um confronto entre um subestimado e uma lenda duas coisas tendem a acontecer: Se a lenda perder, os fãs começarão a apontar falhas na lenta com o intuito de desmerecer o subestimado; Se a lenda vencer, será o resultado óbvio e esperado, assim como o perdedor terá suas falhas enaltecidas e será tido como um cara que tem muito a evoluir. Eis que agora temos a luta ideal para ensinar a todos que MMA é um esporte onde todos os lutadores merecem ser tratados com respeito, afinal de contas nunca se sabe o dia de amanhã. Diferentemente de você e de mim, eles possuem a luta como profissão, não como hobbie. Eles treinam e são muito bem pagos para isto, então há de se esperar uma evolução constante, não um regresso.

Pezão apesar de seu tamanho e aparentar ser um brutamontes lento, nesta luta ele foi um brutamontes extremamente rápido. Fedor iniciou com seu jogo aplicando socos, porém Pezão conseguiu se esquivar de todos, em contrapartida Pezão conseguiu aplicar socos bastante contundentes e que viriam a ser o diferencial da luta. Confiante em seu jiu-jitsu, Pezão tentou trazer a luta pro chão, porém no primeiro round Fedor conseguiu corresponder e ficar por cima, onde aproveitou para golpear o brasileiro, que por sua vez conseguiu absorver bem os golpes. Pezão se livrou de uma submissão e trouxe a luta de pé novamente, onde conseguiu trocar socos levando a melhor novamente, fazendo com que Fedor sentisse seus golpes e ficasse mais lento. A luta seguiu para o segundo round, onde honestamente eu lhe digo que esqueça o que você conhece do Fedor. Pezão simplesmente brincou de lutar, ele derrubou Fedor e trabalhou com o seu jiu-jitsu montando, estabilizando, procurando por submissão, e aproveitando para acertar socos no olho de Fedor. Pezão teve a oportunidade de encerrar com um katagatame, entretanto Fedor é muito bom no sambo e conseguiu escapar. O fim do round se deu com Pezão partindo para uma chave de perna, Fedor conseguiu encaixar melhor, porém Pezão faltando apenas 10 segundos.

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O segundo round termina e eis que vemos o estrago que os socos no olho de Fedor causaram. Em detrimento disto, os médicos ordenam o encerramento da luta, e Pezão vence incrivelmente após uma grande performance que impressionaria até GSP. Assim ele passa para as semifinais do torneio onde poderá enfrentar o seu compatriota Werdum, e ocorrer o épico combate entre os dois últimos homens a vencerem Fedor, ou enfrentar a máquina Overeem, tendo a segunda maior luta da sua carreira em sequência. Existe também uma quarta maneira muito especial de se tornar uma lenda, sabe como?

Aposentando uma lenda. Fedor obviamente e frustrado cogitou a aposentadoria, porém a máfia o impediu e ainda o veremos lutando ainda este ano, mas todos nós sabemos que é melhor parar enquanto é um TOP do mundo do que entrar na situação em que Cro Cop se encontra atualmente.

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Aqui eu encerro a minha análise sobre este evento que fez história, mas não pelas lutas em si pois tivemos apenas 2 combates que valham ser lembrados, mas sim por causa da fantástica vitória de Pezão, mesmo que muitos digam incrível derrota de Fedor. A vida de um lutador subestimado é esta, e somente vencendo este GP para que as pessoas realmente comecem a valorizá-lo. Sobre a minha tradicional nota de eventos, eu diria que este foi 7,5. Sim, muitos podem discordar, mas achei inferior a edição anterior do Strikeforce, e na minha lista consta a seguinte ordem dos grandes eventos americanos do ano criterizando a qualidade:

1st – Strikeforce Cyborg vs Diaz.
2nd – Strikeforce Fedor vs Silva.
3rd – UFC Fight For The Troops.
4th – Strikeforce Challengers 13.
5th – UFC 125 Edgar vs Maynard.
6th – UFC 126 Silva vs Belfort.

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6 comentários em “Cinco Rounds #5 – Strikeforce 31: Silva vs Fedor

  1. Como estava tentando conversar com você ontem, até que tive que sair por motivos de força maior:

    Um combate é resolvido em dois quesitos: Um acerto do vencedor e um erro do perdedor. Nenhum combate é perdido sem um erro do derrotado, afinal, se os dois mantivessem 100% da defesa perfeita, nenhum dos dois seria atingido.

    A diferença é que existem situações mais propensas ao erro e situações onde é quase inevitável errar. Quando alguém erra em uma situação onde tinha plenas condições de acertar, é o que chamamos de erro grosseiro. Quando alguém erra em uma situação onde quase não tinha chances de acertar, é uma fatalidade.

    Mas por definição, o combate é decidido da seguinte forma: Um lutador precisa provocar o erro do outro. Seja por uma finta para que a guarda seja aberta, seja por estimular o cansaço do adversário diminuindo a sua velocidade (e o erro do adversário seria não perceber que está entrando na estratégia alheia). Quando o lutador erra, cabe ao vencedor aproveitar a fração de segundo do erro para definir a luta. Seja por uma chave, seja por nocaute.

    É assim que funciona.

    Jamais desmereci a luta do Pezão, mas quem conheceu o Fedor no PRIDE, lá por 2003 e o viu defender o cinturão até o final da promoção, não reconheceu o Fedor no sábado. Esse foi o sentimento mundial.

    O primeiro round foi um combate comum. O segundo round foi um massacre e o que irei falar se refere ao massacre.

    Nenhum demérito pro Pezão. Só foi estranho o quanto o Fedor estava lento e o quanto ele não conseguiu dar a volta no Pezão.

    O Pezão pode ter um bom BJJ, mas quando eu disse que “ele não usou do jiu-jitsu”, não é que ele não tenha usado nada do BJJ. Ele só não fez nada daquilo que só um faixa preta pode fazer. Só usou coisas muito básicas, justamente porque o Fedor estava tão dominado, que não foi preciso nada mais rebuscado.

    Fedor estava sim irreconhecível. Ele nunca foi dominado dessa forma. NUNCA. Nem mesmo o Minotauro conseguiu isso. E não me venha dizer que o BJJ do Pezão é melhor do que o do Minotauro na sua época de ouro do Pride.

    Fedor a parte, o Grand Prix é a melhor idéia do MMA nos últimos anos. Temos garantido excelentes combates como Overeem x Werdum e o seu vencedor contra o Pezão…

    • Hm, como você tinha dito, você pensa que nem eu, porém daquela maneira que você me disse eu não havia compreendido completamente seu ponto de vista. Bem, de certa forma concordo com o que vocÊ disse, agora, só não dá para comparar o Fedor de 2011 com o de 2003 – 2007 +/- né? O treinamento dele é completamente diferente, o físico já não é mais o mesmo, entre todos esses motivos, mas que foi irreconhecível, ah isso foi. Porém se reparar nos últimos 3 combates, Fedor já vem vindo bem diferente, tem que ver como será a sua próxima luta, se terá uma recuperação ou afundará.

      Abs

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