Na Teia do Aranha #34

Salve, pessoal. Neste espaço – onde os pensamentos sobre o universo do pro wrestling voam – falarei pra vocês sobre um fato que aconteceu recentemente, mas que trouxe à tona um questionamento muito forte sobre de quem é o quê na luta-livre. Quer ver do que estou falando? Leia, reflita, comente e debata, pois esse é o lugar certo.

Abraços e valeu!

Se Gritar ‘Pega Ladrão’?

Antes de entrar no ponto central do texto, peço que imaginem a seguinte situação: você é um músico e passou incontáveis dias se esforçando em uma criação própria. Aquilo lhe exigiu um esforço fora do normal, pesquisa e tudo o mais que fosse necessário para a consecução dessa sua criação. Você a grava e toca em vários locais, mas não faz o sucesso que se era esperado. Anos depois, você percebe que alguma outra pessoa está tocando a sua música e está fazendo um estrondoso sucesso. E quando alguém acha a mesma música que você criou na sua voz, falam que é uma versão secundária de alguém que copiou a música daquele que fez sucesso.

                Confuso? Isso se chama plágio, ou seja, uma cópia de alguma obra sem autorização do dono da obra original. É algo muito comum no mundo em que vivemos, especialmente em uma época em que a velocidade de informação é algo gigantesco e quando um sucesso se espalha, é muito difícil não acontecer casos desse tipo. Os ambientes mais comuns onde podemos ouvir essa expressão são nos meios literários e musicais. Mas, o pro wrestling também sofre com inúmeros casos de plágio, mas nesse caso esportivo, a coisa é um pouco diferente, e citarei um caso como exemplo.

                O lutador Kenta Kobayashi, um dos mais famosos lutadores japoneses do circuito independente, disse em um programa de rádio que o lutador Phillip J. Brooks, mais conhecido por nós como CM Punk, plagiou dois de seus golpes característicos, o GTS (“Go To Sleep”) e o “KENTA Rush”. O mais curioso é que muitas pessoas que não conhecem Kobayashi vieram à tona reclamar de que ele só quer causar polêmica e que é um aproveitador. Mas, peraí? Se formos bem ao pé da letra, ele não está certo? Ele não teria o direito de pedir que CM Punk nunca mais usasse os golpes que ele toma como dele?

                Quando falamos de cópia no esporte, temos que falar de dois fatores importantes para que se reflitam antes de quaisquer julgamentos. O primeiro é a coletividade que o esporte proporciona. Afinal, imaginem se o jogador de futebol que criou a “paradinha” na hora da cobrança de pênalti falasse que queria dinheiro por cada vez que o fizessem nas partidas? E como seria o caso de um ginasta que não pudesse fazer mais um salto mortal duplo, só porque alguém o fez antes e ele diz que aquele salto é só dele e ninguém mais pode fazer? Mesmo que sejam esportes em que não haja coletividade na hora da prática, como judô ou caratê, a prática é perpetuada e, uma hora ou outra, alguém usará daquela técnica na qual você foi o pioneiro.

                O outro ponto fundamental é a carreira do esportista. Não importa se ele é o criador de milhares de técnicas daquele esporte: se ele não for um bom competidor, suas criações ficarão sempre no limbo até que alguém que as use seja alguém que esteja mais em voga, no topo dos rankings do esporte. Muitos atletas criadores que foram os primeiros em certas práticas dentro dos esportes que disputam, caíram no esquecimento pois aquela técnica que não deu muito certo com ele, acabou sendo usada e aperfeiçoada por outro, que acabou se tornando um campeão.

                O pro wrestling é um esporte histórico, com inúmeros campeões nos seus registros. As suas técnicas e estilos ficam imortalizados na história, pois é usada a lei do bom senso, na qual o lutador que a criou é lembrado pelo feito. Se alguém chega ao ponto de reclamar para si a técnica como sua, deve começar a rever seus conceitos sobre o que é ser um lutador. O esporte é universal, o wrestling é universal. Não importa se você luta em uma federação de fundo de quintal ou freqüenta os eventos principais das maiores federações, mas se você é bom, será lembrado muito mais do que pelos golpes que criou, mas pela competência na qual foi demonstrada em toda sua carreira no ringue. O plágio no esporte está nos olhos e na mente daqueles que não conseguem enxergar o que há de mais legal e importante em qualquer esporte: aqueles que o praticam e perpetuam a sua paixão pela eternidade.

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12 comentários em “Na Teia do Aranha #34

  1. Eu ainda acho que o Kenta falou brincando, eles sao grandes amigos, e o proprio Punk pediu permissão quando ele começou a usar.

  2. Como disse o Hermano ai, pelo jeito foi zuando. E mesmo assim, se não for zuando, dane-se 😛 Tipo, o Punk não se torna pior por pegar um ou dois golpes do KENTA, e nem o KENTA se torna fodão por ter os golpes dele copiados. Sem contar que acho dificil que o KENTA tenha criado os dois golpes. Num mundo do wrestling de mais de cem anos, inventar algo TOTALMENTE novo é muuuitooo raro.

    • O nome Go To Sleep não foi dado por nenhum dos dois, se não me engano. É apenas um Fireman’s Carry seguido de um Knee Facebuster.

      Já usar o nome “G.T.S”…

      Whatever, quero Pepsi Plunge de volta \o/

  3. Até onde eu sei, CM Punk deu uma entrevista dizendo que o golpe que usa é de autoria de seu “grabde amigo Kenta”.

    Se ambos são amigos ou não, eu não ssei, embora Punk tenha dito que sim na entrevista, mas não sei se foi plágio, afinal ele mesmo admitiu que o criador é Kenta, então ta mais pra inspiração…

    Isso me lembrou a polemica atual do PArangolixo plagiar os riffs do Angra hehehe!

  4. Toda essa polêmica é, me desculpem o termo, BABACA pois ninguém se dignou a procurar as coisas.

    Olha só a entrevista no link http://www.dailystar.co.uk/inthering/view/190655/Noah-limits-KENTA-leads-Japanese-UK-charge/Noah-limits-KENTA-leads-Japanese-UK-charge :

    “With CM Punk keen to leave WWE, there may be a mouth-watering clash of finishers on the cards. ‘Go To Sleep’ pioneer KENTA laughs, “Please list him up on the wanted list as he stole my move!””

    Claramente foi uma brincadeira do KENTA.

    • brincadeira ou não, o Aranha apenas levantou a questão, e isso rola e muito nos bastidores da luta livre…

      se me aperece um cara fazendo o old school a torto e a direita vc vai vê a falação que isso vai gerá… como se fosse proibido fazer o golpe

      a luta é LIVRE companheiros! hehe

    • Zé, eu simplesmente usei esse exemplo pra levantar a bola, pois muitas das pessoas que vemos no pro wrestling se dizem donas de certas coisas que elas, por mais que sejam as pioneiras, nunca poderão ter posse dela, pois é um patrimônio do esporte.

  5. Foi um bom motivo pra levantar uma discussão, mesmo que seja só na brincadeira.

    Plágio no Wrestling é algo totalmente “natural”, já que nem ao menos plágio seria. Imaginem como seria se o HBK fosse o cara que inventou o Super Kick, e os outros fizessem? Como seria o caso de um Chokeslam, que ficou mais famoso por causa, acho eu, do Taker? É algo espantoso qualquer vir à tona e reclamar disso. Como já vi, e venho falar agora, “nada se cria”.

    Pois bem, deve ter sido apenas pra dar um ar mais humorado na entrevista, e creio que os dois devem já serem entendidos cada um… Mas mesmo assim, se fosse um caso sério, COITADO DELE! :P`

    E pra completar, bom texto, Aranha!

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