Cinco Rounds # 12 – Strikeforce: Fedor vs Hendo

Dedicado aos fãs de MMA da velha guarda dos tempos de Pride até aos mais recentes que começaram a acompanhar pela Redetv, trago mais uma edição do quadro de MMA do blog cujo nome vem do jargão do segundo melhor announcer do mundo, Michael Buffer, irmão do atual melhor announcer do mundo e dos últimos tempos, Bruce Buffer. Se quiser conferir o que houve neste evento, confira a continuação do post.

Se não escrevo sobre MMA há tanto tempo significa que houve uma estagnação em meu apetite pelo octógono, estou decepcionado. A decepção vai desde os leitores que não valorizam o que escrevo sobre esse esporte até aos lutadores que me desapontam no momento da luta, mas na balança mais vai para o segundo do que para o primeiro. No momento da escrita sempre vem em minha mente as horríveis lembranças de humilhações no octógono. Não superei a humilhante derrota de Wanderlei Silva para Chris Leben no UFC 132, não superei a maneira como Randy Couture deu seu adeus ao MMA, mesmo que tenha sido no momento da grandiosa vitória do meu karateca predileto, Lyoto Machida. Na minha memória também vem imagens de Minotauro e sua decadência, de como Shogun foi legitimamente atropelado por Jon Jones.

Meu coração está ferido e em pedaços ao ver ídolos encerrando a carreira desta forma. Dan Henderson e Fedor Emilianenko disputam naquele ringue mais do que uma luta, mas sim a disputa para manterem um legado e reputação que devem ser seladas com chave de ouro. Dois senhores jamais nocauteados até então, um em seus mais belos 40 anos e outro atingindo os 34, Dan Henderson – atual campeão dos meio pesados – e Fedor Emilianenko – antes 10 anos invicto, agora seguindo uma série de duas derrotas seguidas – respectivamente.

Ao soar do gongo os dois gladiadores não se preocuparam em estudo, não há necessidade de conhecer o oponente, eles já se conhecem o bastante para saber qual será o primeiro passo desta valsa. O ritmo ditado pelo violino os forçou a se atracarem na troca de socos, onde não houve vantagem, porém Hendo teve que se esquivar mais do que Fedor. Essa valsa para clarineta entretinha os presentes, os telespectadores, até mesmo você. Um piano entrou em cena e deu novo ar para a valsa, Fedor partiu pra cima de Hendo, derrubando-lhe com socos pesados, porém o campeão se defendeu e conseguiu ir para as costas do russo.

Momento crucial, normalmente um lutador comum ao ir para as costas do seu adversário tenta derrubar-lhe ou tentar uma finalização, mas Hendo é uma lenda e sabia que este era o momento exato para aplicar o uppercut, o uppercut do combate. Fedor caiu desacordado, embora tenha voltado a vida em instantes. Mas ao retornar ele estava em um mato sem cachorro, Hendo por cima com duas mãos pesadíssimas prontas para destruí-lo. O salvador do Last Imperator,Herb Dean, interrompe a luta e decreta a terceira derrota consecutiva ao homem antes invicto por 10 anos, Fedor Emilianenko.

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Neste momento cogita-se a aposentadoria, mas os empresários muito provavelmente se negarão a tal e continuarão a acabar com o legado deste homem. Infelizmente não há nada que possamos fazer, até porque não tenho nem uma 38, então imagine como seria capaz para lidar contra AK-47 (máfia russa…). Fãs de MMA, entendam, o Fedor que veremos de agora em diante não é o mesmo até a derrota para Werdum, este é um zumbi vindo de um semitério de animais, infelizmente.

Citando o que houve antes, o evento contou também com uma luta pelo Women’s Bantamweight Campionship, ou seja, o peso galo, ou peso galinha, fica a critério de vocês. Venceu a mais gostosa, Miesha Tate, conquistando o cinturão. Não adianta citar como foi a luta e nem a importância dela para o MMA, hum: Ninguém se importa para lutas femininas, dois: eu mesmo não conseguira tirar o olho das pernas da vencedora e de seu shortinho extremamente colado que abria minha imaginação… Combates femininos de MMA servem apenas para dar audiência a programas de humor decadentes, este é o fato. Duvido muito que Dana White permita que o MMA feminino se desenvolva no UFC, torna-se mais barato esperar uma organização se interessar pela luta das mulheres, crescer, e depois comprar a organização e continuar o monopólio.

Voltando ao MMA, que é o que importa – embora o assunto anterior também importe… Houveram três combates que terminaram por decisão, o que é extremamente inesperado tendo em conta os lutadores envolvidos, embora boa parte seja desconhecido da maioria que lê esse texto. O primeiro da noite foi entre dois muito provavelmente desconhecidos de vocês, e eu não recomendo muito a luta, porque não adiciona em muito se você não é fã do esporte, e até quem é não vai ver nada de diferente do que já foi visto em outras ocasiões. O segundo por sua vez foi interessante pelo que diz respeito a tática de luta. Paul Daley, forte e futuramente desempregado quando Strikeforce e UFC forem um só (demitido do UFC por atitude anti-desportiva ao socar Kosheck após o combate terminar, atitude imperdoável pelo magnata Dana White), não conseguiu aplicar seu jogo sobre Tyron Woodley, que continua invicto e no caminho pelo cinturão dos meio-médios. O último combate a citar foi entre Robbie Lawler, outrora lutando pelo cinturão da categoria, que perdeu para Tim Kennedy, um bom wrestler que conseguiu anular Lawler e ser ofensivo ao mesmo tempo, e está voltando no caminho pelo título.

Como soa, o evento não foi nem próximo daqueles grandiosos do começo do ano. O motivo? Existem trocentos, mas o mais justificável e plausível é que agora o nível é outro e eles, lutadores, tem que atingir o patamar UFC para serem respeitados de agora em diante. Como alcançar este patamar? Vencer lutadores credenciados e de nome no esporte. Não que antes a vitória não valesse, mas agora ela possui significados, e se antes impressionar e vencer era a chave para o sucesso, no exato momento a chave é vencer e convencer. Uma pena, minha esperança vai para que o Bellator emirja e surja como uma segunda real opção de MMA aos fãs, tanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil.

Após concluir o artigo encontrei uma mensagem que Fedor deixou aos fãs, gostaria de repassá-la, por favor, preste bem atenção: “Eu gostaria de dizer para todos meus fãs tomarem conta uns dos outros. Para ajudarem uns aos outros. Para serem pessoas fiéis e de boa índole. É por isso que eu luto e essa é a mensagem que eu gostaria de passar a eles.”

Um abraço e até a próxima cobertura.

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8 comentários em “Cinco Rounds # 12 – Strikeforce: Fedor vs Hendo

  1. Cara, eu não me meto muito a falar de MMA porque eu gosto, mas não acompanho, mas é triste ver isso acontecendo, o dinheiro infelizmente manda.

    Ricardo, manda um convite pro email pô, eu fiz outra conta até :gustavotolima@gmail.com

  2. Gostei do texto, mas nem adianta tanto ler, se não conseguir ver, então nem tenho o que falar sobre essa perda e talz, pois eu lembro que o Fedor já tinha se aposentado em sua primeira, ou foi eu li errado. Enfim, se é pra preservar uma das lendas, eu espero que ele volte como sempre foi!

  3. Belo texto, não tinha muito mais o que falar mesmo, de fato o ME era 99% da importancia do evento.

    Eu fiquei muito triste em ver ele perder. Triste pois as grandes lendas já fora. Estamos na triste, mas necessária fase de transição, onde os monstros sagrados de outrora, já não acompanham o ritmo dos mais novos. São tantos nomes… Não vejo mais nem o “carequinha com moicano” (sim, falava isso quando tinha uns 10 anos e via pedaços do Liddell no Sportv) nem o carinha de cabelo loiro (Tito Ortiz, que com certeza teve competência, mas uma pitada de sorte pra vencer o Ryan, e que, creio eu, INFELIZMENTE, já que gosto dele e não gosto do Evans, perderá para o mesmo no próximo evento).

    E depois de que vi um pouquinho só de MMA, onde se é muito mais fácil descobrir as grandes lutas, soube que não veria, nunca mais em altíssimo nível, nomes como Cro Cop, Wanderlei Silva (que no PRIDE era quase um trator) Minotauro, os dois que citei, o Couture, e agora, infelizmente, o Fedor, que eu achava que estava “livre” disso, mas que após perder três vezes, está destinado a aposentadoria, mesmo que pra isso ele tenha que perder mais umas duas.

    Claro, nomes muito legais estão ai pra gente, o GSP, o Anderson Silva, cara que no futuro serão lembrados como lendários e dominantes, temos aí vários peso-pesados bons, apesar que só o Lesnar deixou algo marcado na história até agora, temos o Jon Jones, que vem sendo cogitado para ser o “novo” Anderson Silva, e assim vai, muita coisa boa e que não nos deixa na mão… Mas a derrota dos outros, antigos astros, hoje decadentes, encobre a felicidade de ver novos astros surgindo, e realmente desanima e nos deixa muito triste.

    Belo texto.

  4. Só pra advertir: crianças, cemitério se escreve com C. O Ricardo escreveu com S de propósito por causa do livro do Stephen King Pet Sematary, ou “Semitério de Animais” (na verdade o livro em português se chama O Cemitério), que era um cemitério indígena com uma placa escrita com a grafia errada mesmo. Naquele livro, quem era enterrado no Pet Sematary, ressuscitava, porém se mostrava um verdadeiro psicopata-zumbi 😛

    E continuando com a alusão ao livro, que foi melhor do que a da valsa, só enterrando o Fedor lá pra ver se ele ressuscita com sangue nos olhos.

    Tudo bem que ele perdeu pro Hendo. Mas o Hendo é de uma categoria abaixo. Se ele não consegue ganhar nem com vantagem, qual vai ser a próxima estipulação? Dar um revolver pro Fedor e 6 balas? rs.

    Sempre sonhamos com os ídolos encerrando a carreira de forma gloriosa, mas poucos são os que conseguem isso. Tudo por causa de Dinheiro, Paixão e excesso de confiança em não reconhecer que sua época já passou.

    Romário aposentou depois dos mil gols. Edmundo aposentou com o rebaixamento na colina histórica.

    Michael Jordan aposentou sendo um dos jogadores mais velhos a anotar +40 pts na partida. Dennis Rodman rejeitado e sem equipe pra treinar.

    Michael Schumacher havia parado após 7 títulos e dois anos chegando em segundo lugar. Voltou pra apanhar de juvenil. Ayrton Senna, tragicamente morreu, mas ao menos liderava a sua prova.

    É assim que penso. Tem que saber a hora de parar de competir e passar somente para cuidar da academia e da imagem. Fedor/Wand/Crocop perderam esse timing. Espero que o Minota não perca.

    • Aleluia alguém entendeu, ou pelo menos comentou a alusão ao semitério de animais. rsrsrs

      Jack, a Light Heavyweight não pode ser considerada uma grande desvantagem não, porque se por um lado ele é mais leve, o Hendo tende a ter maior disposição, né? Enfim, no geral não há como discordar do que você mencionou, há a hora certa de parar, a do Fedor passou quando perdeu pro Pezão, devia ter se aposentado antes da derrota pro Werdum, uma vez que seus combates já não tavam rendendo mais… E o Minota já perdeu esse timing viu? rsrsrs

      abraço.

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