Why so Wrestling? #9 – Sem ídolos, sem fãs!

Ano novo, vida nova, quadro novo. Faço uma reflexão sobre a necessidade de ídolos no pro-wrestling, e cito alguns casos para reflexão. Acompanhe na continuação do post que mudou de numeração devido a mais uma das minhas ideias a respeito das minhas colunas… Agora creio ser definitiva a mudança.

A briga por audiência e mercado, adicionado ao sucesso dos (e nos) jogos olímpicos gerou nos últimos 30 anos a pluralidade desportiva em diversos países. Se antigamente o Brasil era conhecido como país do futebol, hoje nomes como Bernardinho, César Cielo e Anderson Silva mostram que a habilidade do atleta brasileiro não se encontra restrita aos pés, mas também aos punhos, braços, cotovelos… Os diferentes esportes possuem um ponto em comum que determina o seu sucesso ou falência, a base de fãs. Construí-la é essencial caso os magnatas pretendam enraizá-lo na cultura de uma nação.

Antes, emissoras como SporTv focavam-se em sua grade de programação o quão diversificado o futebol seria, porém com o passar dos anos e de toda essa globalization o intercâmbio cultural se dera de forma tão acelerada que esportes exóticos como o curling ganhara admiradores. Apesar das continentais dimensões do território brasileiro, essa pluralidade ainda é baixa se comparada aos Estados Unidos, onde ao trocar de canais assiste-se a uma enterrada, um lindo touchdown, ou aquele grande home run, e por que não, uma submission de respeito?

Para que um esporte tenha sucesso em um país faz-se necessário que dois pilares lógicos sejam construídos, pois serão estes os responsáveis por toda a base de fãs. Trata-se de investimento e de retorno. Investimento é tudo aquilo que diz respeito ao quanto os empresários estão movimentando em prol da competição. Porém o investimento possui um prazo de validade, e dependendo da situação ele expira velozmente. A única maneira de haver continuidade no investimento é que haja retorno, por sua vez garantido assim pela existência de fãs.

Mas como atrair fãs a uma competição cujo público está completamente alheio sobre? Este é um trabalho que deve ser efetuado com a mesma cautela que um lapidador possui ao desenhar um diamante. Para que haja fãs, é necessário obviamente a construção da imagem de um ídolo, independente dos meios para tal. Muito provavelmente o futebol não seria o que é no Brasil se não existisse a imagem de Pelé, Zico, Garrincha, entre outros grandes nomes a orientar-nos.

                                                             

O mesmo atribui-se aos novos esportes, como o MMA. Os brasileiros se ajoelham perante a figura de campeões como Minotauro, Shogun, Wanderlei Silva entre outros. Assim, por exemplo, como um brasileiro irá se apaixonar pelo futebol americano se não há nenhuma competição de nível equivalente a NFL no Brasil? Ocorre, no máximo, a repetição do exemplo americano, ou seja, a admiração ao talento internacional. Embora no que toque ao MMA os Estados Unidos possua alguns nomes de respeito atualmente, como Jon Jones, Urijah Faber e Frankie Edgar.

Ser fã de um campeão de artes marciais não é muito complexo, há diversas maneiras de um atleta conquistar um fã, pode ser com aquela virada incrível do momento em que estava tudo perdido para uma vitória surpreendente, ou então um massacre monstruoso, e etc, etc, etc… Porém, atribuindo finalmente valores ao professional wrestling, como um wrestler de uma “luta de mentirinha” ou “teatro” (como os jornalistas preferem chamar, invés de esporte de entretenimento) conquista um fã? Com vitórias? A história provou que essa fórmula não funciona tão bem assim.

Nas outras competições o fato de representar a nação na lista de campeões como Ayrton Senna fizera já é o suficiente para garantir a popularidade momentânea, o mesmo vale para Gustavo Kuerten, entretanto na luta livre não basta vencer, até porque não é o lutador quem determina a vitória (cof! Cof! Triple H, cof! Cof! Hulk Hogan, cof! Cof! Randy Orton), mas sim o booker (cof! Cof! Vince Russo). O que fazer para que o fã seja atraído, de alguma forma, a assistir ao show e idolatrar algum dos personagens?

A resposta pode ser simples, porém colocá-la em prática é mais complexo do que aparenta ser aos que vêem pelo lado de fora da janela. A solução aparentemente é dar a liberdade ao wrestler para mostrar a personalidade de seu personagem de forma que o fã se identifique de alguma maneira, e então possa tomá-lo como ídolo. Então por que isto não é feito com freqüência? Por que não deixam os outros, no que toca a liberdade para falar, terem a oportunidade de fazer o que CM Punk fez em 2011?

Apenas no plantel da Raw há, no mínimo, 25 wrestlers. Se todos possuíssem tal liberdade, instaurar-se-ia um comunismo naquele ringue – espaço livre para ironias a res-peito de wrestlers com gimmick soviéticas –, e invés de Top Draws da companhia, os líderes que movimentam os fãs, haveria main eventers com a mesma importância que midcarders aos montes, e uma grande federação como a WWE se transformaria em uma TNA. Aliás, o ponto central das críticas em relação a TNA é justamente nesse aspecto, a empresa não é capaz de consolidar um main eventer e concedê-lo a devida importância, todos se assemelham a midcarders em sua mediocridade, e os poucos que possuem relevância, como Sting, não são capazes de reverter a situação.

A falta de um Top Draw implica em um retorno menor – basta comparar a venda de pay-per-views da WWE para os da TNA, se você achou a comparação injusta, então compare as vendas de pay-per-view do UFC onde o main event é composto por dois ídolos em relação as outras edições –, o que pode consequentemente garantir um investimento menor.

E então tem-se o efeito dominó interligando todas as variáveis já citadas. Se não é interessante abrir a oportunidade para todo mundo ao mesmo tempo, como definir quem receberá a chance de se tornar um main eventer (considerando WWE, já que a TNA é incapaz)? Nos últimos 2 anos pudemos perceber a notória necessidade da WWE de substituição de ídolos, trazendo benefícios e malefícios aos fãs e ao esporte de entretenimento.

Talentos como MVP não receberam a sua merecida chance, e pela frustração abandonaram o barco. E vale ressaltar que ele não é o único, mas o cito porque era um dos meus favoritos e também um caso muito interessante a ser notado, mesmo sendo um midcarder ele tinha uma grande base de fãs, talento de sobra, o que o impediu de ter a chance de conquistar o ouro?

Entrando no campo do achismo, porém com certa convicção e lógica, pode-se notar que essa chance não é concedida a qualquer um, primeiro é feito uma série de testes, e o grande teste não envolve capacidade de entreter, mas sim a de lidar com os resultados que a carreira lhe impõe. The Miz e CM Punk são ótimos exemplos, estão na empresa há alguns anos, porém só agora receberam o spot, e como confirmaram o talento, mantiveram-se nos holofotes devido a base de fãs criada.  Pode-se substituir MVP por outros caras talentosos como John Morrison, se quiser.

Um esporte sem o ídolo central que corresponda a altura é um esporte que tende a decair com o passar dos anos. Tiro como exemplo a Fórmula 1, teve seus anos dourados no Brasil, Piquet, Fittipaldi, Ayrton Sena, porém quando o último se fora, Barrichelo não esteve a altura para substituí-lo e, por mais que qualquer brasileiro ame velocidade, a Fórmula 1 decaiu consideravelmente, e se não tivesse pelo menos uns 2 brasileiros em grandes escuderias, as manhãs de domingo seriam exclusividade de um programa que se chama Esporte Espetacular, mas foca-se no futebol – e um pouquinho de esportes radicais. Para que não ocorra o mesmo com a luta livre é importante o nascimento de ídolos, como Punk, Rock, Austin, senão ocorrerá o mesmo que houve com o boxe, quando a partir do momento que deixou de ter campeão americano nas principais categorias, deixou de ser o esporte principal e virou praticamente um cassino com luvas.

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21 comentários em “Why so Wrestling? #9 – Sem ídolos, sem fãs!

  1. parabens ricardo falo bem,e suas comparações a outros esportes explica bem,falta aquele cara pra levar a companhia a wwe tentou com o cena mas não deu certo ela tem agora um novo cara Punk
    e ele é o que o povo gosta.

    a tna já é um troço dificil ela quer colocar o hardy como o cara da companhia que pra min é um erro deveriam colocar era o AJ ele sim merece e os fãs o adoram,mas sacomé.bye

  2. Gostei muito e concordo. E gosto como você faz seus textos de forma a “fugir” do foco (wrestling) no começo, pra fazer uma comparação, e depois interliga tudo com o foco citado anteriormente, deixando o artigo rico. Deu pra entender? Hehehe.

    E quem sabe um dia a WWE não fica famosa como já foi Telecatch com o Ted Boy Marino e cia. Até porque quem assiste no EI, pelo menos solta um “olha, telecatch” então alguma lembrança tem, ou seja, não é algo 100% novo nesse sentido para os cidadãos. Bem, é esperar, sei que WWE no EI fará um ano logo logo, e não vi, infelizmente, grandes avanços como quando teve a “era SBT” em que vários fãs, inclusive vários daqui da blogosfera, vieram dessa época.

  3. Gostei, muito bom!

    O que falta para serem criados os novos ídolos do Wrestling, sãos personagens. Hoje são MUITO poucos que têm aquela Gimmick foda, de criatividade e que todos vanglorizam. Se formos notar antigamente, apenas um nome basta para ser ídolo, em relação a outros como hoje: Randy Savage. O cara tinha uma Gimmick das mais fodas, e foi conquistando seu espaço e logo após seus ídolos. Isso acontecia antigamente já que se preservava a Gimmick do Wrestler. O personagem é o que muda tudo. O cara pode lutar o quanto for, mas se não tiver uma Gimmick boa, é um ninguém na empresa. Exemplos como o Barretta que luta muito bem, mas que pra mim nem tem Gimmick… Vai crescer como desse jeito? Assim não consegue fãs, e não consegue seu espaço.

    Hoje como referência de boas Gimmicks temos Punk, Storm na TNA, que já ganham seus fãs e são Main Eventers de peso. Undertaker conquistou seus fãs pela sua Gimmick, assim como SCSA, The Rock, Angle, Sting, entre muitos outros, como Flair e Hogan, que tiveram milhões de loucuras dos fãs.

    É isso, assim como o Gustavo disse em seu Post, pra um Wrestler subir na empresa é sim um personagem bom, pois assim é que se vai criando Carisma pra ele, para que futuramente ganhe seus fãs e seu espaço absoluto na empresa.

    • Nossa, muito bem observado em referência ao Savage. Aliás, as gimmicks de midcard daquela época eram bem carismáticas, o que diferia um main eventer do midcarder era mais os títulos e as rivalidades mesmo… Agora atualmente, a gente se apega ao wrestler porque ele tem um web show de comédia… Aí complica.

  4. Grande Vamp

    Ótimo texto. Concordo plenamente com você. Os Ídolos trazem retorno, prova disso, é a pequena passagem da WWE pelo SBT.
    Antes do Royal Rumble, os números da audiência estavam baixos. No RR, Cena voltou a programação da WWE. Nas semanas seguintes, o Programa no SBT subiu no Ibope, deixando muita gente incomodada, e o resto da história nós já conhecemos…

    Sobre a questão de ídolos nacionais na luta livre, creio que em breve teremos um lutador brazuca na WWE ou TNA, com um push parecido com o que a WWE tentou dar a Justin Gabriel. Restará ao lutador (ou lutadora) aproveitar. Zumbi, Bia e Igor Lopes são na minha opinião os principais nomes para este posto.

    Belo Texto.

  5. A ideia aqui é idealizar como fazer crescer a luta livre Nacional ou como aumentar a popularidade da WWE e luta livre em geral no Brasil?

    Porque apesar da coluna muito boa, me ficou essa dúvida.

    Um cara entrar no “mundo dos grandes” vai sim chamar a atenção de um público maior, mas vai dar na mesma merda que sempre deu em todos os esportes.

    Como educador físico já fui há centenas de competições, centros de treinamentos e clubes, inclusive das modalidades mencionadas por você, e o que mais se vê é a idolatração ao de fora e o daqui continuando mambembe.

    Na natação e no vôlei conheço vários atletas, e todos continuam na mesma fossa, tendo que trabalhar pra se sustentar e tendo o esporte como renda secundária

    Tênis só vejo gente com alto poder aquisitivo praticando com uma chance extremamente remota de ganhar um futuro vindo disso.

    Formula 1 e boxe nem se fala.

    Nas artes marciais e em algumas outras modalidades tem o bolsa atleta, mas é só pra quem ganha e é destaque, ou seja, se você não for bom aos olhos de quem interessa, você é só mais um e tem que se virar.

    O Xandão lutou em um evento de MMA patrocinado pela SONY. Mas, será que esse apoio vai continuar depois que a fama do MMA der uma pequena queda?

    Fala-se de Anderson Silva e vende-se bonecos, camisetas e todo mundo tem boné do UFC. Mas, e quando o Spider não render mais? Será que quem quebra o c* aqui dentro vai continuar sendo visto como atleta ou vai voltar a ser um marginal praticante de modalidade violenta?

    E não pense que futebol é essa maravilha toda. É campo pra sucesso pra 1 em 1 milhão. Times com atletas de qualidade minguam na várzea sem estrutura nenhuma e totalmente desvalorizados, porque não foi do interesse de um cartola ajudar ou as oportunidades maiores não foram dadas/conquistadas por falta da estrutura.

    Acho que mais que um ídolo, o que falta no Brasil, não só para a luta livre, é a valorização do esporte. Estes programas que se intitulam “esportivos” tirarem o foco do futebol e irem à fundo, mostrar o que tem dentro de casa, as reais condições, e nós fãs incentivarmos as grandes empresas e emissoras a apoiarem e dar subsídios pra isso.

    Dizem que o Brasil é o país do futuro, mas com a mentalidade de homem das cavernas que temos, dia após dia exaltando o que vem de fora e esquecendo de dar base pras nossas raízes, não só no esporte mas em tudo, não passaremos da piada que somos.

    • Sobre a sua dúvida no começo do comentário Igor, eu vejo que serve para ambos os casos, digamos assim, porque se a luta livre crescer no Brasil, a popularidde em geral aumenta também.

      Sobre o que tu comentou a respeito dos outros esportes, é uma questão complicada. Você disse em relação a idolatração pelos de fora, realmente, mas muito disto acontece, acredito eu, porque esses esportes no geral estão se tornando “popular” aos poucos, então demandará tempo até que muitos atletas brasileiros sejam reconhecidos. Demora, mas imagino que venha acontecer. No geral, o que eu quis dizer na coluna não é muito sobre as condições precárias que muitos atletas vivem – dia desses vi o descaso que a comissão brasileira de (aquele esporte de gelo que é tipo uma corrida, que o cara entra e desce numa pista a lá montanha russa [esqueci o nome no momento]) e passou na ESPN sobre uma atleta que quase morreu, e a conf. nada fez a respeito.

      Mas não posso deixar de concordar que no Brasil precisa valorizar além dos ídolos, o esporte como um todo.

      Vlw pelas boas observações.

        • sad, but true 2

          Muito disto pode-se atribuir a boa vida que muitos jogadores de futebol leva, então fica essa imagem de “vadios que só jogam bola”…

          Obs: 10 reais? É sério mesmo que tu vai comprar a Duff?

        • Mas empresários também levam uma excelente vida e não são chamados de vagabundos, e sim de sortudos e muita vezes enaltecidos.

          O problema do Brasileiro é a inversão de valores. Quando se trata de educação, é algo inútil e superfulo, os educadores são mal pagos e desrespeitados.

          O esporte é visto como entretenimento e “um meio de distração, de tirar as crianças da rua”, mas o povo só valoriza profissão se o cara é inteligente e manda, logo, quando se torna atleta, é um vagabundo que num quer trabalhar.

          OBS: Disse que vou experimentar, mas num disse que pagarei… =P

  6. É maimeno por aí. Costume da maioria dos brasileiros é acompanhar um esporte somente se estiver um brasileiro na jogada. Tênis levou aquele bump por causa do Guga, boxe por causa de nossos famosos pugilistas, e agora o UFC por causa do domínio brasileiro…

    O problema da LL no Brasil é que não tem nenhum tipo de cobertura, nem em tv a cabo, nem 15s. em telejornal esportivo. Até o Hockey de gelo é transmitido, agora, pela ESPN, até os campeonatos mundiais de tênis de mesa e não me espantarei se cobrirem campeonatos de curling,… Como não tem nenhum tipo de cobertura na midia televisiva (e nem nos grandes meios online) o povo não se interessa em ir buscar informações de outras maneiras, não conhecendo o que é a LL, e não se interessando também…
    Quando passava no SBT, todo mundo gostava de assistir, e se continuasse passando, esse número só multiplicaria, porque é algo prazeroso de ver, mas falta espaço, infelizmente…

  7. Pingback: Why so Wrestling? #10 – Caravana Ready To Rumble! | Get Ready To Rumble

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