Overtime #18 – Análise – TNA Genesis 2012

Eis que sai a primeira análise de pay-per-view americano do ano, o Genesis, da TNA. Confira os resultados, fotos e a análise na continuação do post, nesta décima e oitava edição do Overtime, que após um longo período de stand by volta com força total!

https://getreadytorumble.files.wordpress.com/2011/04/bannerovertime.png?w=371&h=148&h=123

E para dar o pontapé inicial as próximas 3 horas de Professional wrestling, o primeiro combate da noite é uma luta pelo X Division Title entre quatro wrestlers que vieram do cenário independente recentemente e ultimamente têm realizado um trabalho consideravelmente bom na TNA, e mantém acesa a chama da esperança de um dia a TNA voltar a focar-se única e exclusivamente naquela que outrora fora seu diferencial em relação a WWE, a X-Division.

TNA X Division Championship Match
Austin Aries (c) vs. Kid Kash vs. Zema Ion vs. Jesse Sorensen

Entretanto a X-Division cada vez mais tende a permanecer como as cinzas de uma Phoenix que nunca nascerá. Desta vez o problema não pode ser atribuído única e exclusivamente ao fato de serem escassamente promovidos, mas sim em razão da mediocridade e do quão genérico os oponentes do atual campeão demonstraram ser ao longo do combate (embora a TNA tenha wrestlers competentes o suficiente para melhorarem a divisão, mas falta interesse em tal). Visualmente falando Kid Kash, Zema Ion e Jesse Sorensen não somam muitos pontos, e para piorar, a forma como lutaram não atribui nenhuma originalidade ou característica aos seus respectivos personagens.

Logo pode-se imaginar como fora a luta, Austin Aries não escaparia muito das críticas acima se não soubesse conduzir uma luta de forma ímpar, e logo merecidamente se justifica o fato de ser o campeão. Contudo, para manter o seu cinturão ele dependeu da ajuda de terceiros. Eliminado por Sorensen, Zema Ion se esconde atrás do ringue de modo que o árbitro não possa vê-lo, e quando Sorensen sobe no corner, enquanto o árbitro dá atenção a Aries, Ion puxa o pé de Sorensen que fica sem defesas para Aries que liquida a fatura com um Avalanche Brian Buster e retém o cinturão.

**

Devon vs Pope

Nesta storyline que perdura por aproximadamente um ano, agora invertem-se os valores e os filhos de Devon aliam-se a Pope e estão contra o pai. Algo digno de Katie Vick e que traz ao ringue algo até interessante de se ver, se bem feito. Não pode-se exatamente dizer “dito e feito”, contudo há de se salientar uma boa participação por ambos os lutadores, afinal o clima “pai vs filho” entretêm o público, o que contribui ao bom andamento da luta. Porém, o anti-climax chega quando Pope obriga os dois filhos de Devon a baterem em seu próprio pai, os meninos ficam receosos e são então espancados por Pope. Devon ressurge em fúria e acaba com seu adversário finalizando a luta com um saving Grace, e depois abraçando seus filhos… Que meigo, vou até chorar, primeiro turn em pay-per-view da TNA. Anotem que até o fim do ano teremos 100… Detalhe sórdido para o poder nulo do árbitro em tomar alguma atitude durante o combate inteiro.

**3/4

Gunner vs RVD

Quando chega o momento em que, durante uma luta de wrestling, sua mente se esvanece e outros assuntos se tornam mais interessante do que o combate, tenha em mente que é porque a luta está entediante e os dois wrestlers não possuem uma química muito boa a entreter. Se serve de consolo aos fãs da TNA, o referee fez com que se acordasse durante a luta, mas de maneira não muito agradável. Como diz o Galvão, árbitro bom é aquele que não é citado durante o jogo. E o referee em questão é distraído por Ric Flair enquanto Gunner aplica um ddt em uma parte da ringside onde o mesmo havia tirado o tatame. Gunner então leva RVD para o ringue e facilmente faz o pinfall em seu oponente, que depois necessita de atendimento médico, embora o mesmo seja capaz de se auto-ajudar durante o atendimento…

**

TNA Women’s Knockout Championship Match
Gail Kim (c) vs. Mickie James

A luta já começou errada, Madison Raine veio mais vestida do que uma freira, praticamente, e isso é muuuito errado! Tem que valorizar o que de melhor será feito no ringue neste momento, e não, não é wrestling, mas sim as belas bundas gostosudas! Entretanto, antes das pernas começarem a se abrir, Madison se recusava a entrar na gaiola das popozudas, mas Velvet apareceu e a prendeu a força… Cruel! E a gaiola sobe… E a luta rola… E as câmeras se focam nas pernas, bundas, peitos e tudo que mulher tem de bom! Wrestling ignorado, e o booking tomando conta do combate novamente, Gail Kim tenta atacar Mickie com soco inglês sem o árbitro ver – para variar –, mas sua tentativa é frustrada, pois Mickie leva vantagem e consegue contra-atacar. Entretanto, mesmo dominando o combate, sem muitos motivos aparentes Mckie resolve pegar o soco inglês e se desqualificar ao bater em Gail, que reteve.

A expressão de Mickie em sua face pós-luta demonstra bem o que é ser campeã das Knockouts, logo é melhor ficar sem cinturão e com os fãs a aplaudindo devido seus atributos no ringue (tais como as melhores submissões do mundo, mestres em abrir as pernas, e os melhores pinfalls, com as mesmas características). Detalhe básico para Madison que gritou durante a exibição inteira como se fosse uma rookie atuando com Kid Bengala.

Monster’s Ball
Bully Ray vs. Abyss

Alguns devem ter considerado grande coisa neste combate, muito provavelmente devido ao fato de não terem acompanhado a essência do hardcore – e não há referências exclusivas a ECW aqui, mas a qualquer tipo de hardcore, como BJW, entre outros –, logo observa-se nesta luta características cômicas dignas de um desenho animado. Não que isto seja ruim, porém estava mais para padrinhos mágicos do que para Dragon Ball Z. Abyss e Bully Ray brincaram ao trocar de armas e tentar ferir o oponente das mais variadas maneiras, o que foi interessante, porém não resultou em muitos efeitos nocivos.

Apesar de em alguns momentos ter ocorrido um bleed job ou outro, após ser espancado, Abyss ou Bully Ray logo voltavam a atacar como se nada tivesse ocorrido. Psicologia in ring pra que né? Em característica típica de Abyss, ele sofreu os piores ataques, porém foi Bully Ray quem fora derrotado após o Monster ressurgir do nada com um back hole slam em cima do arame farpado e realizar o pinfall. Apesar dos ataques, ambos, alguns momentos depois, estariam trocando socos no backstage… Psicologia in ring pra quê? Melhor agir como dois personagens de desenho animado.

**1/2

TNA Tag Team Championship Match
Matt Morgan & Crimson (c) vs. Samoa Joe & Magnus

E se já não bastavam outras milhões de vezes onde o árbitro roubou a cena em um ringue da TNA, mais uma vez o mesmo se repete. A luta pode ser considera completamente dispensável, totalmente aleatória e sem química alguma, sendo ignorada até mesmo por quem estava na arena. Com a exceção dos que foram pagos para estarem ali, ninguém demonstrou o mínimo interesse no que os quatro faziam no ringue, vibraram mais quando acabou a luta, até mesmo pelo detalhe de terem vibrado pela vitória do heel.

A conclusão que se chega deste combate é que servira única e exclusivamente para deixar a crowd morta para a próxima atração da noite, a que realmente atraía os fãs de wrestling. Storm vs Kurt Angle. Mas antes, detalhe para uma entrevista com o Cowboy Storm.

Na citada entrevista, Storm com poucas palavras entreteve mais do que a tag team match anterior. E finalizou de maneira “épica” mandando um “you suck, but in the end you might be swallowing” (você chupa (referência a you suck – você é idiota, não presta, ou qualquer coisa neste sentido), mas no final você estará engolindo (referência a uma modalidade olímpica muito praticada em ambientes corporativos e vence o que for capaz de encher um copo com leite e beber primeiro, algumas divas da WWE são medalhistas de ouro))

Kurt Angle vs James Cowboy Storm

Muitos podem julgar como mera perseguição (como coisa que alguém fosse lucrar em perseguir uma federação de wrestling, mas ok), entretanto todas as críticas possuem fundamento, e mais uma vez deve-se citar, a TNA possui grandes lutadores, ótimos talentos, porém a incrível capacidade do booking estragar tudo é latente.

Angle, magro tanto quanto o Seu Madruga, não apresenta atualmente a mesma habilidade de antes, e parte disto se justifica aos treinos para as olimpíadas (comissão atlética não dará colher de chá para esteróides), logo sua técnica in-ring fora drasticamente reduzida. Por outro lado, James Storm conduzira o combate de forma a mostrar que possui capacidade para conduzir o main event da empresa, se tiver a devida oportunidade.

Com o público já desgastado de tudo que fora feito até então, a luta não contou com um clima mais quente, e de certa forma até merecia… Após apresentarem algumas dezenas de minutos de bom wrestling, novamente a parte scriptada interferiu. Storm se preparava para aplicar um superkick, porém Angle se protege com o referee, que então em um momento de distração não observa o low blow de Angle, seguido de uma tentativa extremamente falha de superkick, que deu vergonha alheia até mesmo nos comentaristas que citaram como chute no estômago, e seguiu ao pinfall – isso o referee viu –, e 1, 2, e 3! Angle vence…

***1/2

TNA Heavyweight Championship Match
Bobby Roode vs Jeff Hardy

A limitação técnica de Jeff Hardy, adicionada a limitação psicológica oriunda de certas substâncias que não vem ao caso citar, tornam Jeff Hardy cada vez mais um caso perdido e espelho do que é a TNA, uma federação que possui talentos como AJ Styles, Christopher Daniels, Kaz, Austin Aries, James Storm, Doug Williams, entretanto opta a dar destaque para um indivíduo que deveria ter parado com a luta livre há mais de 2 anos.

Um combate a padrão, inclusive pelo final, ao tratar-se de TNA. Quem já viu uma luta de Jeff Hardy, já viu todas, e esta não foi diferente, talvez apenas pelo tempo de duração. Após ambos distribuírem seus respectivos move-set e repeti-los em praticamente 20 minutos, Bobby se recorda que é heel e ao se ver em condições de perder o cinturão, ataca o referee para ser desqualificado… O árbitro fica atordoado, e enquanto isto quando Hardy iria finalmente vencer, porém o árbitro se recupera e encerra a luta pelo título por desqualificação… E o cinturão mantém-se no poder de Bobby Roode… Sabe aquele ditado “há males que vem para bem”? O cara zoa com a empresa no Victory Road – último pay-per-view que acompanhei na íntegra – e ainda está disputando o título? Onde está a câmera? Porque só pode ser pegadinha…

***

Enfim, comentem o que acharam deste pay-per-view em minha opinião mediano e esquecível, sem nada memorável e de qualidade duvidosa que não recompensa os 45 dólares a ser pago. Antes de criticarem-me e me chamarem de hater, eu lhes faço uma pergunta: Vocês pagariam 45 dólares para assistir esse pay-per-view? Se sim, após o show, vocês realmente não ficariam com uma sensação de que o evento não vale isso tudo? Bem, isto é o que quero dizer que não teve nada que realmente valesse à pena.

Anúncios

10 comentários em “Overtime #18 – Análise – TNA Genesis 2012

  1. Pelo que disse no facebook, achei que a nota máxima do seu review seria um 2 hehe.

    Mas, por mais incrível que pareça, não discordo em muita coisa, apenas na hardcore match que foi foda. E assim, acho que em hardcores (?) matches, não devemos pensar tanto na psicologia, até porque a maioria dos ataques que ocorrem, não só nessa luta do Ray e Abyss, como em todo hardcore match de respeito, deveria acabar uma luta, visto em conta que tem o poder de um bom golpe, multiplicado pela queda em tachinhas, arame, mesas, cadeiras, escadas e afins. Enfim, eles até exageraram um pouco na parte dos kick-outs, como após a prensa do Abyss nas mesas de arame, e a esmagada do Bully Ray de cima do córner, mas acho que era o necessário para produzirem algo muito bom, e o fizeram.

    Como disse, nada mais a discordar, até porque umas duas lutas não vi, pois me dispersei no meio do PPV, como você, mas gostei da volta dessa sessão, gosto dos seus reviews, espero que não pare 😀

    • Porra! O Mundo ta acabando! Mas concordei com tudo que o Gustavo disse.

      Ótima Análise, e esperamos que o Overtime volte com tudo em 2012.

      Abraços.

  2. Dizer que a luta da X-Division foi genérica é no mínimo escrotizar o negócio, a luta foi muito boa, o único defeito foi da própria TNA em ficar filmando o Zema Ion dando claramente pra perceber que ele ia interferir e fazer o Aries ganhar.

    E tu não pode se basear o hardcore na BJW, pq ali já eh Ultraviolence.

    E a luta do Angle vs Storm seria foda, se tivesse um bom público, a questão não é que o público se cansou, é pq o público eh escroto mesmo, tem muito turista que vai ver isso (universal studios e talz), então n tem graça nenhuma, Angle dá uns kick-outs muito fodas, mas sem público pra se emocionar, o negócio n parece emocionante.

  3. Cara, eu acho muito escroto quando falam “Ah, quem viu ECW das épocas boas, sabe que isso não foi hardcore de verdade” e mimimi’s desse nível… Sempre tem esses comentários de mongolozisses…
    Cara, tu fez uma analise legal, parabéns, li tudo dessa vez, e meu comentário sobre o ppv é:
    TNA, QUEM SE IMPORTA????

    Abraço…

  4. Esse PPV pode ser classificado em um nivel assim…. PQP que merda foi essa??

    Tirando a luta do Storm que logicamente era pra ele ter ganhado mais os bookings como sempre neh, o resto foi tipico de caca, a XD foi ate boa, se nao tivesse a interferencia do Ion ia ser quase que otima, mais fazer o que neh TNA nos bookings é igual a WWE pra popularidade….

    Analize otima man, concordei com quase tudo, tirando a Monster Ball que foi ate melhor que o ME que por sinal foi uma coisa escrota e sem sentido nenhum.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s