Cinco Rounds #13 – Análise e Vídeos – UFC 142 (UFC Rio II)

E no embalo de sábado a noite, o UFC Rio II, ou 142, brinda o público brasileiro com um card lotado de compatriotas com direito a defesa do cinturão de José Aldo. Se você não viu, veja, se já viu, veja novamente! Então siga a continuação da postagem e confira os vídeos e a análise deste evento de alto nível e muitos nocautes!

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Aos que não conhecem o espetáculo irei dar uma breve resumida de como funciona, se você já entende, então pode pular este parágrafo. As lutas podem durar até 15 minutos, sendo divididas em 3 rounds de cinco minutos, com a exceção da luta principal, que tem duração máxima de 25 minutos, dividida em cinco rounds. O combate pode ter 3 resultados: vitória, empate, ou no contest (quando não há vencedor devido a lesão ou desqualificação durante a luta). A vitória pode ser alcançada por 4 maneiras: nocaute (podendo ser técnico, quando o juiz interrompe), submissão, desqualificação, ou por decisão dos juízes. A vitória por decisão se dá através da pontuação. Quem vence um round conta 10 pontos, quem perde, 9. Se o assalto for vencido de forma completa e avassaladora durante os 5 minutos, então o derrotado fica com 8 pontos. Alguns golpes no MMA são proibidos, como alguns tipos de cotovelada, golpes na região genital e na nuca, joelhada quando o oponente está de 3 apoios ou 4. Resumindo, é isto o que você precisa entender para se situar no mundo do MMA.

Os eventos do UFC possuem dois tipos de card, o principal e o preliminar, o principal obviamente contém os atletas mais famosos e é transmitido em pay-per-view nos Estados Unidos, enquanto o preliminar é exibido em algumas emissoras. Os destaques do card preliminar vão para Gabriel “Napão” Gonzaga finalizando o compatriota Ednaldo Oliveira, e para o bom combate entre Yuri Alcantara e o japonês Michihiro Omigawa. Mas indo ao que realmente importa, eis os combates envolvendo gladiadores do terceiro milênio de maior relevância.

Edson Barboza vs Terry Etim

Abrindo o card principal, o brasileiro Edson Barboza, que fez sua estréia no UFC (134) Rio I, encarou o inglês Terry Etim. Neste embate o brasileiro já era previsto como favorito na luta de pé, o que justifica as tentativas de Terry Etim em trazer o combate para o chão. Entretanto suas tentativas foram em vão. Como resultado disto teve-se 3 rounds monótonos com momentos em que Barboza esboçou ataques, porém nada realmente danoso. Entretanto no terceiro e último round, após resistir e recuperar-se das tentativas de queda de Terry Etim, Barboza consegue encaixar um chute perfeito, impressionante e fatal, um chute girado que acertou em cheio seu oponente e o pôs para beijar a lona decretando a vitória por nocaute ao brasileiro!

O publico presente na HSBC Arena foi ao delírio, e a noite de vitórias brasileiras só estava na metade (anteriormente, com a exceção de Ricardo Funch que perdeu por nocaute técnico para o carismático Mike Pyle, todos os brasileiros haviam vencido), tinha muito mais por vir!

Erick Silva vs Carlo Prater

O duelo entre compatriotas do card principal trouxe a mesa uma polêmica que entrará para o currículo de decisões duvidosas no UFC. Erick Silva, trabalhando com uma base similar a de outro Silva, o Anderson, não demorou muito para engolir Carlo Prater com joelhadas e, no chão, com socos à cabeça. O árbitro, Mario Yamasaki, interrompeu o combate, e a torcida fora ao delírio. Entretanto o anticlímax se aproximara ao ser anunciado pela marcante voz de Bruce Buffer que o vencedor fora Carlo Prater, por desqualificação, pois Erick atingira a nuca de seu oponente (golpe ilegal).

E surge então a discussão: Entre os golpes que nocautearam Carlo, os desferidos à nuca realmente fizeram diferença ao ponto de desqualificar Erick Silva? Se esta regra tivesse que ser levada tão a risca, dezenas, para não dizer centenas de outros combates deveriam obter o mesmo resultado. Há certa incoerência na interpretação desta regra e coube ao árbitro no momento tomar a decisão, entretanto com os recursos de mídia pode-se notar claramente que a decisão tomada não pode ser considerada correta. Se concordas ou discordas, veja o replay da luta no vídeo abaixo.

Mas de qualquer forma, como Erick disse na entrevista, independente do resultado será de vitória o sentimento que ele carregará deste evento, embora no cartel conste uma derrota a mais. Obs: Dana White pagou a bolsa da vitória para Erick.

Rousimar “Toquinho” Palhares vs Mike Massenzio

Toquinho, de triste e sofrido passado, mas agora vencedor brasileiro, como Galvão Bueno tanto frisou na transmissão, entra para combater novamente após uma das lutas mais emocionantes da sua carreira, no UFC I, contra Dan Miler. Seu oponente desta vez é Mike Massenzio, um competidor de aparência intimidadora, porém de currículo não muito bom… Recheado com vitórias e derrotas. Sua diferença de envergadura (alcance dos golpes em relação onde está) é considerável, assim como seu tamanho, porém neste duelo a arte suave falou mais alto. O jiu-jitsu de Toquinho mostrou-se eficaz, e ao se completar um minuto de luta Mike Massenzio dava tap-out por sofrer uma chave de calcanhar, o que aliás é uma das especialidades do brasileiro.

Aos fãs deste importante representante do Brazilian jiu-jitsu no UFC, esta vitória o coloca no mapa para uma eventual disputa do cinturão que atualmente se encontra nas mãos de Anderson Silva. Obviamente há um árduo caminho a se percorrer, porém a boa sequência pode lhe proporcionar um adversário de nível, para quem sabe, ser considerado um dos tops da categoria. Se eu fosse Joe Silva, o colocaria para encarar o vencedor de Demian Maia x Michael Bisping, e se Toquinho vencesse, com certeza começaria a ser mais cogitado como desafiante ao título.

Vitor Belfort vs Anthony Johnson

O “the phenom” undertaker Vitor Belfort, amado por muitos, odiado por outros, integra a este evento como nome de popularidade a fim de marketing, devido a sua boa imagem no exterior, e até mesmo no Brasil. Diferentemente da primeira edição do UFC Rio, este evento adiciona no que diz respeito a técnica, porém a demora para que se esgotassem os ingressos da HSBC arena pode ser atribuída também ao fato de não haver muitos lutadores famosos como na edição passada (embora a diferença numérica seja de 2, o status dos que participaram proporciona uma discrepância enorme). Seu oponente é um adversário mediano, um típico combate a fim de lhe garantir uma vitória a mais e pô-lo na briga por título em breve. Entretanto Johnson não demonstrou interesse em tornar os planos de Belfort simples, dominando os 4 minutos iniciais de combate. Porém no último instante vacilou ao deixar ser “mochilado”, dando oportunidade para Belfort buscar pelo mata leão e seguir a sina de Galvão Bueno.

Alguns talvez não tenham entendido a “sina do Galvão”, mas até então, todos os combates cobertos pela Globo encerram-se no primeiro round. Assim se deu com Cigano vs Cain, e as duas lutas anteriores – o combate de Edson Barboza não foi transmitido, sabe-se lá porque… E esta, que encaminhava-se a mais um round, acabou aos 4:49 do primeiro! Será que Galvão foi 100% pé quente?

José Aldo © vs Chad Mendes – UFC Featherweight (Peso Pena) Championship

O “main event” da noite, a luta pelo cinturão dos pesos pena, até então nas mãos do brasileiro José Aldo, invicto desde 2005, defendendo contra o invicto e estrela do extinto WEC, Chad Mendes. O oponente de maior risco até o presente momento, José Aldo encara um lutador com porte de campeão, e estilo de jogo extremamente nocivo. Com suas incríveis habilidades de wrestler, Mendes pôs Aldo contra a parede do octógono em diversos momentos, e objetivou a queda praticamente os cinco minutos da luta inteiro. Sem muito a acrescentar ao primeiro round, que aparentemente estava indo em favor do americano, José Aldo fora capaz de manter, faltando 10 segundos, a sina de Galvão e conseguiu se livrar de uma pegada de Mendes para encaixar uma extraordinária joelhada no queixo de seu adversário, que já caíra nocauteado e, faltando 1 segundo para o fim do primeiro round, Mario Yamasaki redimira-se com a torcida brasileira e decretara o fim a luta e confirmou Aldo como campeão.

A cena pós luta entra para a história do MMA como a interação entre campeão e torcida mais linda já vista desde a criação deste esporte. A forma como Aldo foge da gaiola e se junta ao público, enquanto ecoa os gritos de “é campeão”, transforma essa épica cena épica. Muito provavelmente os gringos entenderam, agora, o que significa calor humano. Não que eu seja apreciador disso, porém reconheço que em determinadas situações é bonito de se ver.

E aqui se encerra mais uma edição do Cinco Rounds, embora a maioria das lutas não tenha passado do primeiro… UFC 142, uma edição de cunho mais técnico e que trouxe elevou a imagem de três personalidades: Edson Barboza, Toquinho e José Aldo, e contou também com a importante participação de Napão. No geral, um evento bom, (***1/2), Joe Silva – quem organiza o card dos eventos – soube adicionar lutas que deveriam ocorrer, porém não tinham espaço nos outros pay-per-views, e como eventos estrangeiros são menos vendidos, aproveitou para colocá-los aqui. Houveram combates interessantes, e uma interação público-luta ímpar e característica do Brasil. Se o evento não pode ser considerado um sucesso no que diz respeito a vendagem, muito se lucrou em quesito esporte. Eis então a situação onde o bussiness não é o fator mais importante. Encerro aqui minha participação, deixe vosso comentário.

Detalhe sórdido para a desnecessária participação de Neymar na transmissão da Globo.

Obs: Se algum video estiver indisponível, comente, e procurarei por um vídeo disponível.

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10 comentários em “Cinco Rounds #13 – Análise e Vídeos – UFC 142 (UFC Rio II)

  1. Pra mim ficou meio morno esse UFC. Não sei se foi por causa de apenas metade da transmissão real do UFC, com três lutas na Globo, que juntas deram em uma hora, contando com tudo. O UFC claramente foi melhor pois era a volta pro Brasil, um sonho se tornando realidade. Esse apenas foi “mais um de muitos no Brasil”, como penso

    Me impressionei mesmo com o nocaute do Edson. Ele que toda luta tenta um desses chutes, conseguiu finalmente acertar aquele em cheio, e exatamente igual ao do “nocaute do século” que saiu alguns dias atrás.

    O Belfort fez uma luta boa. Se ele não fosse ágil o bastante, teria perdido a luta após ficar em apenas um pé, enquanto o Johnson segurava o outro. Depois disso ainda teve sorte do cara vacilar alguns segundos.

    Toquinho dessa vez não cometeu o mesmo equívoco do primeiro UFC no Rio, e foi esperto para segurar o tornozelo e aplicar uma chave no seu adversário.

    E a melhor cena foi do Aldo. Vei, juro que fiquei de boca aberta quando ele deu aquela joelhada de repente. Acho que ninguém estava à espera, principalmente por causa de ser no final do Round e o Aldo poderia segurar a vitória do Round. Mas acho que se ele não tivesse segurado na grade quando o Chad faria a queda, ele não teria acabado dessa forma. Claramente ele foi favorecido por isso. Juízes poderiam dar uma desqualificação ali, mas deram um boi porque era aqui no Brasil e ninguém queria ver uma chuva de copos de refri voando pro octógono! xD’

    Boa edição!

  2. Cara, destruiu na análise, essa ficou realmente boa…

    E como assim não teve tantos lutadores conhecidos como no UFC Rio I? Um teve Anderson Silva e Minotauro, e outro teve Vitor Belfort (que talvez no momento não, mas até começar a moda do UFC no Brasil, era o lutador de MMA mais conhecido, disparado, pra não dizer o único conhecido, pela maioria) e o José Aldo que é campeão e já eleito melhor lutador do ano….

    Sobre a análise, poderia ter comentando mais sobre a luta do Belfort, a qual tu não comentou praticamente nada, e apenas frisou que Galvão é pé quente…

    Aliás, parece que tá tendo uma nova modinha de odiar o Belfort, por motivos chulos ou inexistentes…. O cara é um ídolo no esporte, uma “legenda das artes marciais”, e sempre foi correto e o mais profissional possível dentro do esporte, e um dos lutadores, senão for O lutador brasileiro, que mais contribuiu pra essa febre toda de MMA do momento…
    Quero só ver ele acabar com o Wanderlei Silva em menos de um minuto novamente, e os haters e tietes do Wand continuarem hateando e ficarem com mimimimi eterno….

    • Corbari, a nível de lutadores conhecidos a fama de Anderson Silva, Minotauro, Shogun, e Paulo Thiago combinadas é maior – e muito – do que a de José Aldo e Vitor Belfort também combinadas, foi isso que eu quis dizer. Sobre a luta do Belfort, foi a luta que menos me deu vontade de comentar uma vez que creio ter havido uma ligeira falcatrua… E sobre a parada de odiar o Belfort muito se vai pelo fato do cara ser considerado campeão sem ter título rs. E Wanderlei Silva destroçará Vitor em dois! xD

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