Na Teia do Aranha #40

Salve, pessoal! Quem diria, heim? Esta humilde coluna está chegando a sua edição de número 40. Agradecendo sempre a todos que lêem e deixam as suas opiniões, críticas e sugestões, fazendo daqui um espaço de pensamento e debate dentro do GRTR. E nesta edição, começaremos uma série especial sobre as histórias e pensamentos sobre os principais programas televisionados de pro wrestling, e já vamos começar com um dos principais do grupo. Quer saber qual? Clique em “Continue Lendo” e deixe sempre seus comentários. Leia, reflita, debata e aproveite.

Valeu!

Twitter: @joaoaranha

É Hora da Guerra!

             Deixemos bem claro que é impossível fazer, em um pensamento só, toda a perpassagem histórica do Raw, mas explicarei a idéia básica da criação do show. Em 1993 a WWE (antes WWF) via o seu crescimento latente no mercado, especialmente o televisivo que, depois do ‘boom’ do final dos anos 80, foi gigante. A direção da empresa viu que precisavam de algo que atraísse a atenção do público para que não fosse algo meramente passageiro e que pudessem acompanhar o crescimento de público aos shows, já que as arenas menores do Prime Time Wrestling (programa antecessor do Raw) já não comportavam o pessoal.

                O Raw chegou com a intenção de fazer shows somente em grandes arenas (mais a frente, as arenas menores foram recolocadas com os House Shows). Porém, o grande diferencial seria que todos os shows seriam transmitidos ao vivo, com toda a ação acontecendo na hora, sem cortes ou edições. Isso foi algo que manteve a WWE no topo até 1995, quando a WCW chegou como concorrente direta a empresa de Stanford e, devido a redução de audiência, alguns shows da WWE tiveram que voltar a ser gravados, e os ‘spoilers’ dos resultados influenciavam nos índices de audiência.

                Em 1997, o Raw voltou a ser totalmente ao vivo, com um novo nome (RAW IS WAR) e com uma nova caracterização, que foi a ‘Attitude Era’ que tanto conhecemos e que muitos idolatram, onde todo aquele controle e diferenciação dos tempos passados foi mandado pro espaço, e os palavrões, erotismo, sangue, personagens e embates empolgantes levaram a audiência da WWE de novo às alturas, especialmente com a falência e venda da WCW e ECW para Vince McMahon em 2001, que gerou, em minha opinião, a melhor storyline de todos os tempos no pro wrestling, a “Invasion”.

                Após os atentados de 11 de Setembro de 2001, a WWE decidiu tirar o nome ‘RAW IS WAR’, justificando que o ‘Monday Night Wars’ (guerra de audiência entre WWE e WCW) tinha se encerrado, e, a partir deste ponto, começou a ser criada uma nova caracterização do show, onde toda aquela comoção devido ao caos em New York influenciou essa mudança de comportamento, com a retirada dos elementos da ‘Attitude Era’ e a criação de um show que pudesse misturar a luta livre com o entretenimento sem a necessidade de ser vulgar, atraindo espectadores de todas as idades. Em 2008, essa idéia foi consolidada e muitos dos fãs da era antiga, que já reclamavam dessa mudança, se sentiam órfãos, que queriam ver a violência e (com o perdão do trocadilho) a atitude da ‘Attitude Era” de volta. Mas esse já era um caminho sem volta, que percebemos até os dias atuais.

                 E esse caminho foi benéfico para a empresa? De certo modo, sim, pois se a WWE não tivesse se arriscado em tentar atingir públicos de todas as idades (e conseguindo com sucesso), poderíamos não estar masi vendo a WWE hoje. Porém, levou a marca a, em certo ponto dessa mudança, infantilizar excessivamente o programa, colocando o glamour e a interpretação muito acima da luta em si, e pagou caro com a baixa da audiência e as críticas aos lutadores e suas histórias (algumas totalmente sem nexo). Com a percepção desse problema, a empresa tenta voltar a chegar a um equilíbrio com alguns pequenos elementos dos tempos passados voltando hoje, como alguns estilos de storyline e modos de falar dos lutadores.

                É necessário entender que, muito mais do que mudança de atitude dos chefes da WWE, o que vale é o novo pensamento sobre as lutas e a censura nas mídias. Não existe mais uma liberdade tão grande quanto a se expressar, especialmente na televisão, em que qualquer coisa que se falar pode ser passivo de um processo milionário (não dá pra contar quantas promos dos anos 90 que, caso fossem gravadas hoje, desencadeariam uma infinidade de protestos e aproveitadores baratos dos seus ideais esdrúxulos). E pra você que reclama dia e noite sobre a WWE, um recado: a ‘Attitude Era’ não vai voltar mais, os tempos passados não vão voltar mais. Gosto dos tempos atuais, confio que o desenvolvimento vai continuar e a buisca por um equilíbrio vai continuar, sempre respeitando os limites do presente.

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23 comentários em “Na Teia do Aranha #40

  1. Muito legal o texto Aranha, bom saber da historia, pra falar a verdade, nem sabia que a Attitude Era acabou por causa dos atentados, eu sei que o Undertaker é o único em atividade a ter participado do primeiro Raw.

    • Obrigado, Leandro. Não foi bem por conta dos atentados, mas a mudança de mentalidade criada pelos atentados ajudou muito nesse processo. E, sim, the Undertaker é o único wrestler em atividade a ter participado do primeiro show do Raw.

      • Só acrescentando: Undertaker é o único wrestler em atividade a ter participado do primeiro show do Raw…. em atividade na WWE, outros wrestlers que estiveram no “First Raw Ever” ainda lutam por outras federações, como o Scott Steiner e Max Moon, conhecido também como Konnan, lenda no méxico.

  2. Boa quadragésima edição! A RAW tem uma história foda mano, de verdadeira guerra mesmo, seja com a concorrência ou com os fãs. O fato é que já rolou de tudo na RAW, por isso é o programa que mais contribuiu para o wrestling, e contribui até hoje! Realmente foram maravilhosos tempos de Attitude Era, mas acabou faz tempo, de qualquer forma, também gosto dos tempos atuais e espero que continue assim. Só estamos aqui hoje, graças ao grande trabalho construido com o tempo , na WWE.

    • Sim, Jin, o Raw tem uma história muito legal, que perpassa uma boa parte da história do pro wrestling como conhecemos. E obrigado pelo elogio.

  3. Bom texto Aranha, só que pensei que tu fosse citar o SmackDown também hehe. E faltou dizer que antes da Raw tinham os Saturday Night Main Events, os Superstars e tals. Mas entendi a proposta. Felizmente vejo poucos com essa sede por Attitude Era, e isto deve-se mais porque a WWE tem apresentado um produto melhor ao passar dos meses. Eu prefiro algo bem feito do que algo violento e agressivo, porém sem qualidade. É que nem comparar dois filmes como Cantando na Chuva e Um filme Sérvio… Um extremamente feliz, outro com infernidade de violência. Cantando na Chuva, muito bem feito, sem dúvida, infinitamente melhor.

    Fica a pedida para quem quiser, diga-se de passagem =P

    • Ricardo, a proposta, relamente, é falar do Raw agora. Com um pouco de paciência, haverá um texto para o Smackdown, com certeza. E um produto melhor é sempre muito mais palatável para todos, pois não adianta algo com violência e vontade, sem qualidade.

      E essa dica de “cantando na Chuva” foi tensa. E só vi agora que o banner foi mudado. Aquele foi feito pelo Corbari a um tempinho atrás, mas agradeço tanto ao Corbari que fez o antigo quanto a quem fez esse novo, que ficou bem legal.

      • Não curte Cantando na Chuva? Filme fica show se você assistir Laranja Mecanica entao aí que tu vai curtir mais ainda Singing in the raing hehehe

        • Sim, eu curti os dois filmes. Mas é que só vc pra puxar essas lembranças e fazer um comparativo disso com pro wrestling.

  4. Achei legal o tema abordado, só senti falta de uma conclusão. Assim, você fez o que se propôs, que foi contar a história, mas sei lá, senti que faltou o “fechar com chave de ouro” sabe? Mas foi bom mesmo assim.

    Sobre algo que disse ali, gostaria de dizer que já achei também a Invasion a melhor storyline da história. Pelo menos ela gerou os segmentos mais fodas, as coisas mais legais, afinal, várias “dream matches” ocorreram (pois seria como a WWE pegar os wrestlers da TNA e ROH hoje, só que isso multiplicado por 5, já que a WCW e a ECW eram bem maiores que TNA e ROH, respectivamente) e colocasse em seu roster. O problema é que isso é ilusão, pois a WWF colocou-se a frente de tudo, e fez coisas sem sentido, visando apenas a empresa. Ou seja, deu aquela famosa cagada na storyline, principalmente no heel turn do Austin. Com isso, peço para que veja por completo a storyline (e caso tenha visto, já, reveja) e perceba bem algumas cagadas.

    E parabéns, 40 edições não é pra todo mundo, pelo contrário!!

    • Obrigado pelo elogio, Gustavo.

      Fechar algo que está em constante mudança, é algo complicado. Nessas horas, em qualquer texto, é melhor que se baseie na sua opinião amarrada até o momento e deixar que o tempo vá moldando nossa opinião com base. Se eu fechar com “chave de ouro”, como disse, eu firmarei algo e posso cair em um anacronismo violento, que vemos em muitos textos por essa blogosfera.

      E eu tenho o DVD da “Invasion” e discordo de vc ao dizer que foi feita uma cagada na storyline. Muitos queriam ver um finalzinho feliz, com a derrota da WCW e ECW, mas o heel turn do Austin foi o angle ideal para que se esticasse a história o suficiente para se levar até o Summerslam, onde a storyline se estabilizou e seguiu em frente. Cagadas sempre haverão em storylines, mas mas elas são tão pequenas que em nada afetam o andamento da mesma.

      • Quis dizer que o heel turn dele, além de não ser tão convincente (continuava sendo ovacionado, diferente de quando era heel junto do HHH por exemplo) não fazia sentido se pensarmos no passado real dele, com ele indo mal na WCW por exemplo. Ou algumas coisas sem noção tipo o Kurt Angle lá. Eu entendo se falar que foi devido a ferrar o Vince, ou ainda para ter mais poder, mas alguém que nunca nem passou por lá, se juntar a outra empresa, soa estranho. Nesse sentido que quero dizer, achei errado. Sem contar que não tínhamos nomes de peso mesmo vindouros da WCW e ECW, o que dava MAIS destaque a WWF, e menos ainda as duas. Não culpo Vince por isso, afinal, ele venceu, e tem que se mostrar superior, mas acho que algo mais bem montado, e nos dando a impressão mesmo de que a WWF estava em perigo, poderia ser melhor.

    • Cagadas na storyline? erro o heel turn do Austin? Várias “cagadas”?

      Ia responder esse absurdo, mas olho o autor do comentário e……. sem mais perguntas, meritíssimo.

  5. Foda o texto. Curti muito.

    RAW é o principal Show atualmente e praticamente sempre foi, e não só de Wrestling, quase tudo. Teve seus momentos de glórias, alguns shows horríveis, algumas expectativas amargas pela conclusão e sempre com surpresas ótimas. Programa que foi essencial pra WWE crescer e fiz isso bem.

    Hoje a WWE visa só a RAW mesmo, pois contém os Ratings maiores pra empresa e é Ao vivo, o que faz dela ser muito mais cobiçada pra se ver. Continua sendo agradável de ver, até porque a RAW foi muito influenciada pela PG Era, inclusive sendo muito ruim em alguns momentos de 2009 até um pouco de 2010. Em 2011 já conseguimos nos adaptar e agora dá pra levar de boa, e enfim, sendo a maioria dos Shows ótimos.

    E parabéns pelas 40 edições! 😀

    • Valeu pelas palavras, Ricke.

      O RAW vai continuar a ser o principal show da empresa, mas ele tem que ser visto com bem mais carinho do que anda sendo visto. Os altos e baixos, em certos casos, deixam os fãs muito preocupados. Mas sempre teremos fé que vai melhorar.

  6. Muito bom, esses dias até comentamos, via msn, um pouco sobre isso. Como era sensacional a época da attitude era, e como era necessário, também, buscar outros públicos.
    Aliás, deu até vontade de rever dvd’s sobre a Invasion, hehhe
    Abs.

    • Valeu, Corbari.

      É muito bom lembrar dos pontos bons do passado, mas entender essa busca da WWE por outros públicos é igualmente fundamental. E rever o “Invasion” é sempre bom. Vez ou outra me pego vendo esse DVD, hahaha.

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