Na Teia do Aranha #42

Salve, pessoal!

Em mais um pensamento, expresso sobre a indignação em ver duas pessoas destruíndo o que poderia ser o ano da reviravolta da WWE. Quer saber quem são? Clique em “continue lendo”, leia, reflita, opine e debata. Sugestões para próximos pensamentos também serão aceitos com os comentários.

Abraços e valeu!

A Volta Dos Que Nunca Deveriam Ter Voltado

                Normalmente, as introduções aos pensamentos que faço são mais gerias, porém, começo dessa vez com uma confissão.Posso dizer que, uma das poucas coisas na vida que faço até hoje, gosto de fazer e não me arrependo é de estudar. A partir disso, pude abrir os olhos para várias situações que, sem essa carga de conhecimento, não conseguiria ver. E na área em que trabalho (administração de empresas), uma das coisas mais importantes é ter uma visão ampla, aliada a sua carga de conhecimento, para a melhor tomada de decisão possível. Às vezes, um desvio, por menor que seja, pode causar danos permanentes em toda uma sequência de atividades. Outro ponto é que, quando uma pessoa perde a confiança dos seus superiores, é muito difícil que se tenha uma retomada da mesma.

                Voltando ao que mais nos interessa, isso se aplica muito na pro wrestling, especialmente no que se refere ao andamento das rivalidades e demais situações do cotidiano da empresa, em que se precisa de decisões acertadas e velozes. Porém, vimos nas últimas semanas que, por mais que um castelo possa ser construido com ume sforço hercúleo, dois pequenos furos podem causar um grande estrago, derrubando toda uma estrutura.

                Em Fevereiro de 2011, em meio a fogos de artifício, pompas e circunstâncias, The Rock foi anunciado como o ‘host’ do Wrestlemania XXVII. Em seu primeiro discurso, existiu uma esperança de que aquele The Rock que todos viram ser nove vezes campeão mundial aparecesse. Mas, a partir do momento em que o duelo dele com John Cena foi marcado para o Wrestlemania XXVIII, o que se viu foi alguém que se manteve com uma visão de um passado glorioso, que apareceu em raríssimos lampejos. E o que se viu no “showcase of the immortals”? Uma luta que deveria ter sido a “passagem de tocha” de um ídolo do passado com um ídolo do presente se tornar uma extensão de algo que vai se arrastar por mais um ano, fraquejando e se mantendo com o que foi feito no passado.

                Entendo perfeitamente que Dwayne Johnson se tornou um ator de sucesso, com uma gama de filmes (bons e ruins) que vemos por aí. Mas, para alguém que jurava de pés juntos que nunca mais voltaria para a WWE e que lutava com todas as forças para tirar de si a alcunha de “The Rock”, que é maior do que tudo que ele já fez em sua vida e que foi o que lhe alçou ao que ele é atualmente, voltar e se permanecer do jeito que está acontecendo é mais do que somente a alta quantia que recebe, mas uma gigantesca hipocrisia.

                Falando em hipocrisia, no dia seguinte ao Wrestlemania XXVIII, quando achávamos que as paspalhadas da empresa do Tio Vince iam nos dar um refresco, quem é que nos aparece? Brock Lesnar. Aquele mesmo que assinou um contrato com a WWE, foi campeão da empresa, saiu do nada para o Japão , sendo campeão do IWGP e quebrando o contrato que tinha com a promoção americana. Logo foi para o mundo do MMA,ganhou o título de campeão do UFC em sua categoria e criticava o mesmo universo que ele habitou como bebia água, dizendo também que nunca mais voltaria e que a praia dele era o MMA. Aparece como se nada tivesse acontecendo, fazendo aquela clássica política de “pão e circo” pra galera que fica chorando pelos cantos pela volta da “Attitude Era” e demais tempos remotos que nunca mais voltarão.

                Onde é que fica a política de uma empresa que quer colocar nomes por cima dos talentos? A WWE vinha passando por tempos em que o entretenimento foi colocado muito acima do wrestling. No último ano vimos esse abismo ser diminuído, com rivalidades bacanas e a rotatividade de talentos novos na luta pelos títulos da empresa, colocando aqueles que já são destaques por sí só em histórias que os mantenham em voga, mas sem atrapalhar quem está na disputa pelos cinturões. As reclamações de muitos fãs da empresa de que só viam os “Cenas” e os “Ortons” da vida como campeões, sem razão de estarem ali, foram mudando. E, quando a WWE tem a chance de dar uma grande guinada, ela deixa essa mesma chance escapar pelas mãos. Não é assim que tem que se andar, não se pode depender de nomes que não se importam nem um pouco com o desenvolvimento do pro wrestling, mas somente com os seus nomes nos letreiros dos eventos principais. E lá vamos nós descendo a ladeira de novo…

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9 comentários em “Na Teia do Aranha #42

  1. Cara, PERFEITO! Eu tô tentando escrever um texto sobre isso, mas o tempo falta.

    Acho muito idiotice alguém gostar de Brock vs. Rock pelo WWE Title no ME da WM 29, pelo simples motivo de que esses alguns ficam reclamando de que a WWE não dá Push pra um, ou não dá Push para o outro… quando temos a chance de ver caras do Mid Card tendo seu espaço numa Wrestlemania, preferem ver dois caras que somando seus tempos de ausência ficaram mais de 15 anos fora da WWE. Fico muito indignado com isso. Rock já deu o que tinha que dar, e inclusive fez mais do que era pra ter feito, tá na hora de ir embora e voltar com seus preciosos e mais importantes filmes. Quando ao Brock, eu não reclamo tanto, até porque seu contrato exige mais compromissos com a empresa, mesmo assim não merece estar em outro ME de WM em menos de um ano.

    Não entendo porque ninguém se manifestou quando a WWE pensou em por caras como Kidd, Hawkins entre outros Mid Carders com bastante espaço na WM, mas na hora que o Lesnar voltou, é todo mundo comemorando, como isso fosse algo bom… Sim, pra mim é muito mais ruim do que bom, até porque só teremos essa experiência só por um ano, enquanto os Mid Carders correm risco de demissão.

    • Obrigado pelo elogio, Ricke.

      Lembrando de Curt Hawkins, foi ele quem treinou The Rock, desenferrujando-o da inércia dele quanto ao Pro Wrestling. Ele, Kidd e vários mereceriam estar à frente, mas, ainda teremos que ver por, pelo menos, mais um ano isso se arrastar.

  2. Mas Aranha… vc ainda se surpreende com as peripécias do Sr. Vince? O foco é quanto vale o show, não importa mais quem está com o cinturão ou uma ordem de disputa ou chances para feuds elaboradas. Não se assuste se um belo dia o Vin Diesel baixar no ringue disputando o WWE championship!

    … infelizmente amigo…é assim…

    • Xandão, meu caro, eu sei que tem o fator comercial, afinal, qualquer empresa desse naipe (luta livre e entretenimento) tem que visar o lucro. É natural quererem isso. O que me incomoda é que, depois de quase um ano de reconstrução de pensamento e uma pequena esperança de que as coisas poderiam melhorar (que ainda continua em mim [sou brasileiro e não desisto nunca]), eles passam por cima da própria palavra, moral e o nome da empresa, que vale mais do que qualquer material humano, por puro lucro.

      É mais do que irritante, é antiético em todos os aspectos. Sei que é assim, mas vamos continuar acreditando. E obrigado por ler o texto.

  3. A WWE esta em um momento em que as lendas estão se acabando, e o que é o melhor a se fazer? Dar chances aos novos pra que um dia eles venham a ser o futuro da empresa. Mas quando isso é pra acontecer eles vão lá e trazem mais uma coisa do passado… Jogando o futuro da empresa pra tras. É isso que me enfurece.

    Parabéns, cara. Seu texto foi genial.

    • Sim, meu caro bruno. Os lutadores se constroem com acertos e erros. Tem que botar o pessoal pra trabalhar e botar a cara na reta, pois, só assim é que se sentirão motivados o suficiente pra se preparar e irem ao seu limite pelo que fazem, e não sejam somente saco de pancadas.

      E obrigado pelo elogio, Brunotaker.

  4. Não vejo problema algum em vê-los de volta. Pensando apenas como um fã “irracional”, afinal, são duas lendas, dois caras que saíram dos ringues da WWE e conseguiram crescer através de outros meios e tal, e vê-los voltando, dá aquela impressão de “nossa, eles agora não precisam mais da WWE, e mesmo assim voltaram, que lindju”. Mas isso tudo é como FÃ IRRACIONAL. Agora, sabendo do que sabemos, vemos um cara que voltou, mesmo após fazer de tudo pra mudar o nome e deixar de lado suas origens, e outro que faz tudo por dinheiro, pois quando ele entrou pro UFC, lembro dele dizendo algo do tipo “não sou apaixonado por isso, faço porque dá dinheiro, afinal, quem é apaixonado por algo que te dá contusões e lesões?” Ou seja, não tem amor, não tem envolvimento, tem apenas um jogo de poder, marketing, interesses e muito, MUITO dinheiro.

    E assim, feliz eu fico em revê-los, afinal, quem não vibrou com as ovações conseguidas por ambos, é muito do frio (ou realmente os odeia MUITO :P). O problema é o que fizeram. Assim, eu fiz uma pequena “conta” do saldo do WM: quatro lutas consideradas principais. Nelas tínhamos dois jovens (Bryan e Sheamus), duas estrelas atuais e que já conseguiram se estabilizar (Punk e Cena), duas lendas máximas, dando o show que toda WM precisa pra ser pelo menos um bom evento (e isso gera outra pergunta: quando Taker parar, quem irá ser responsável pelo show no ringue? HBK já foi embora também…) e dois caras fodas, retornando (Jericho e Rock, pra quem é lento e não pensa XD). O que fazem?? Pegam as duas jovens possíveis estrelas, enterram a match deles, e colocam um resultado ridículo em 18 segundos. Aí passamos da open match, pro ME, e o que vemos?? Ao invés da tocha ser definitivamente passada, não, o cara que voltou por dinheiro (ou sei lá porque) vence. E o presente/futuro?… Porra, como a WWE pretende manter um equilíbrio e uma renovação, quando faz esse tipo de coisa?

    Concluindo, é legal ver caras assim de volta, mas o problema é que a WWE não está nem aí para o resto do roster. Ela enterra o Cena, maior estrela dela, enterra o Henry, e não dá valor ao resto que merece. Ziggler, fodônico no ringue e estrela praticamente pronta pro ME, onde estava? Perdido numa 12 man tag no meio do card, sem importância. Henry, campeão dominante e com um ano de 2011 foda, onde estava? Na mesma match; Del Rio? Fora do card por não ter nada bom pra ele… Bem, essas e outras coisas que deixam os retornos deles zoados, não o fato de aparecerem, e sim que não ajudam novas estrelas, não fazem a roda girar, pelo contrário, matam esses caras que dão duro o ano todo, simplesmente pelo ego (deles, ou do Vince). GRANDE texto!

    • Chegou a um ponto que queria mostrar, Gustavo. Não é que eu sou um revoltado contra pessoas que vão pra carreira fora do PW e voltam (Steve Austin é um exemplo), mas, além do ponto da pura ambição atropelando a moral e o esporte, vem a questão deles cagarem sobre todo um plantel altamente promissor e que, se andar como foram esses dois programas que citei no texto, ficarão somente na promessa.

      Obrigado pelo elogio, Gustavo.

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