Overtime #22 – Análise – WWE SummerSlam 2012

Não, este não é o fim do mundo, mas sim um texto/análise de um pay-per-view da WWE… Após um tempo considerável ignorando a existência do pro-wrestling e tocando a vida adiante, apesar da greve dos servidores federais, finalmente volto a acompanhar WWE e tenho que comentar a grata surpresa que foi acompanhar esse build up e o segundo maior pay-per-view da WWE. Confira na continuação como foi este show!

https://i1.wp.com/3.bp.blogspot.com/-PFNMQQSmsxs/T-kqtlASWgI/AAAAAAAAAnI/kv7Y_fg0-q8/s1600/lance-storm.png(THE PERFECT STORM!… Continuo fazendo piadas sem graça, isso não muda!)

Antes de opinar sobre o pay-per-view, faz-se ressaltar a devida importância do build up que este evento teve e o que pode ser atribuído a tal. Após muitos e muitos anos, quase com a convicção de dizer “pela primeira vez” na história recente da WWE, eis que surge um pay-per-view cujo todos os combates tiveram um contexto credível e digno de se levar a outro nível, o nível de duelar em um pay-per-view da magnitude do SummerSlam, quando o duelo ganha um novo significado.

Um item importante a se salientar nessa discussão é o significado deste pay-per-view para o momento atual da WWE. Um dos fatores que desmotiva e espanta fãs do pro-wrestling do produto oferecido pela empresa dos McMahon é a repetição da mesma e saturada fórmula de como se fazer um show de luta livre. As apostas da empresa seguem um padrão antiquado e que inviabiliza o surgimento de novas estrelas de qualidade no ramo da luta livre, colocando em cheque até mesmo a popularidade deste entretenimento a longo prazo.

Porém eis que novos ventos sopram em casos do acaso e o destino colaborou, e muito diga-se de passagem, para uma mudança nessa visão arcáica de como fazer a luta livre acontecer. Se é possível citar-se o ponto de viragem onde isto ocorre, aparenta-se ser bastante satisfatório apontar a segunda violação de Randy Orton da política de bem-estar e sua consequente suspensão por dois  como grande motivador desta revigorada geral, porém é claro não pode deixar passar em branco como os fãs, os verdadeiros fãs da luta livre, apareceram em peso na edição de 2011 do Money In The Bank e apoiaram os wrestlers de qualidade e que representam toda a essência do futuro da luta livre, bem como vale citar a Ryder Revolution trazendo a internet como aliada ao espetáculo, sem contar a carência em estrelas com status e a forte dependência de um pequeno grupo de 3 ou 4 lutadores para liderarem o público.

O SummerSlam de 2012 é nitidamente um reflexo de todo o trabalho iniciado em meados de 2011 quando CM Punk disse aquilo que todos estavam entalados, quando ele foi a voz dos sem voz e mostrou que os wrestlers também compartilham desse mesmo sentimento ao verem um transatlântico em direção ao iceberg e não poderem fazer muito além de gritar desesperadamente! Obviamente uma única voz não seria alta o suficiente para que o capitão acordasse, ainda mais quando em caminhos de WrestleMania, época em que os medalhões da WWE, como The Rock, resolvem aparecer e distraí-lo com uma canção, tampando os gritos desesperados a bordo do convés.

Entretanto o momento em que algo tem que ser feito chegou! Obviamente muitos traços dessa visão antiquada da luta livre ainda se carregam e por muito se perpetuará inserida de maneira quase parasital, e nota-se de passagem que este foi o grande ponto baixo do SummerSlam, aliás. Ou você realmente achou magnífica a vitória de Sheamus sobre Alberto Del Rio? Erros pregados nessa filosofia da década de 80 e 90 por muito se continuará e até muito se promugam, basta ver as notícias relacionadas as últimas demissões, o manager AW foi demitido por conta de um comentário infeliz, enquanto muitos outros piores já foram ditos por pessoas com status que não correspondem a sua qualidade e real importância na companhia. Entretanto isso não mudará de uma hora para a outra, certo?

Obviamente aparenta ser irônico citar revigoração no pensamento da WWE quando o main event é nada mais, nada menos do que Brock Lesnar contra Triple H. Porém deve-se fazer uma ressalva para o fato de que esses medalhões ainda são importantes para ajudarem não somente a vender o pay-per-view financeiramente falando, bem como para incrementar a importância histórica do evento. “Qual foi o pay-per-view que Chris Jericho e Dolph Zigler fizeram uma lutaça?” “Ah, foi naquele que teve Triple H e Brock Lesnar como main event!”. Não estou citando que concorde que essa seja a melhor opção, porém cito que esse combate é uma luta de referência e possui um outro significado. Triple H teve uma grande carreira como lutador profisional, ele merece seu último momento de glória e ovação, e por mais que muitos acreditem que o mais correto seja colocá-lo com um wrestler em ascenção, convenhamos que isso é para lá desmerecedor com tudo que Hunter já fez e com tudo que ele fará assumindo cargo de administração da empresa.

Citando grandes nomes da WWE e que estão próximos de terem seus últimos momentos, vale mencionar a participação de Kane e Chris Jericho. Duas peças fundamentais e que podem ser utilizadas a qualquer instante para qualquer que seja a finalidade, desde a elevar talentos na companhia, bem como encabeçar grandes eventos. Basicamente um retrato da personalidade de estrelas que conhecem o ramo do wrestling e reconhecem que exercem papel fundamental nesse momento em que estão prestes a encerrar suas respectivas  carreiras. Claro que a vitória de Chris Jericho sobre Dolph Ziggler faz isto soar incoerente, porém basta assistir a Raw seguinte e confirma-se o que acaba de ser dito. Sem mencionar que Jericho fez um grande trabalho em torno deste “you can’t win the big one” (você não vence os grandes!) Jericho elevou Ziggler ao status de grande desafio e o faz parecer um adversário mais credível, basicamente o que se espera de um mr. Money in the bank.

Quanto ao Kane faz-se notável que sua capacidade técnica é extremamente inferior a de Daniel Bryan, porém é uma peça niveladora fundamental para a carreira de Bryan na WWE. Oriundo da ROH, seu começo na empresa não foi o dos melhores ao ser demitido logo após seu debut como membro da Nexus, porém tudo se acertara e começara a trilhar seu caminho para mostrar todo seu talento e potencial. Nesse momento é interessante lembrar do vencedor do NXT 2, Kaval (ou Low-Ki), e por mais clichê que possa soar, são em ocasiões como esta que dou razão ao meus pais quando dizem que humildade e paciência é a fórmula do sucesso. Obviamente perder em oito segundos para Sheamus na WrestleMania não é lá algo tão espetacular, porém há de ser louco para não enxergar que Daniel Bryan está tendo um grande momento na sua carreira, fãs que o admiram pela sua habilidade técnica e não por sua personagem, e fãs que o admiram pela personagem! Tem como estar melhor? Talvez um título… Mas cinturões na luta livre não possuem tanta importância…

Aliás, este parece ser o tema da moda no momento, a importância de um cinturão no wrestling. Quem está acompanhando os últimos episódios da Raw pode notar a constante briga de CM Punk com o sistema – novamente – para procurar reconhecimento e respeito a quem se merece, o campeão. Os 9 meses de reinado de CM Punk foram ofuscados pelo brilhantismo de John Cena, The Rock, e até mesmo agora Triple H! (Embora este eu já tenha mencionado seus devidos porquês!). Porém depois de 9 meses ter composto apenas UM main event, e ainda assim exatamente do evento em que John Cena não lutou… Claro que nós, fãs da internet, praticamente temos um filho depois desses 9 meses e muito odiamos essa falta de respeito ao campeão e estamos com Punk nessa nova briga. Esse difícil duelo entre Punk, Cena e Big Show serviu para mostrar que a WWE pode sim continuar a ser a WWE sem John Cena, basta dar-se o crédito a quem merece invés de manter-se as fichas em cima de um único homem.

Punk e Cena tiveram o mesmo papel no ringue, atuando até em dupla contra o enfurecido gigante Big Show. Isto mostra que a sucinta diferença de um para o outro é simplesmente a valorização, que no caso, é em demasia a John Cena. Pelo menos nota-se na Raw pós-pay-per-view que ficar por isso mesmo é algo que Punk não deixará acontecer, ou você acha que ele acertou Jerry Lawler com um chute na cabeça por puro desejo em ser vaiado? Embora realmente o reinado de CM Punk esteja sendo morno ao longo desses 9 meses, mesmo tendo protagonizado verdadeiros espetáculos com Daniel Bryan, o principal responsável disso tudo é John Cena roubando o spotlight! Um dos motivos pelo qual o reinado de The Miz, hoje Intercontinental Champion, ter sido interessante e ter entretido é justamente o fato de que Miz encarou não somente Cena, mas os grandes egos da WWE, Cena e Orton, o que garantiu que os holofotes estivessem em Miz, não que ele fosse o foco central, mas porque também se iluminou ao estar no palco com os dois grandes centro das atenções da WWE.

Por bastante tempo o “Awesome” Miz levou a vantagem e reteve seu cinturão, e nitidamente após a sua derrota ele caíra no ostracismo. Felizmente sua gimmick revigorou-se e conseguiu suportar 2011 às sombras do incrível 2010 que tivera, e agora em 2012 consegue caminhar para continuar sendo um superstar de destaque na companhia e mostrando o seu valor perante os demais. Miz vence no SummerSlam um Rey Mysterio que é basicamente a personificação do futuro de Miz, um lutador de reconhecida importância, porém dificilmente tomará as rédeas enquanto tiverem outros medalhões, mas pode ser que eu esteja errado… Fato é que ser uma peça importante no tabuleiro da WWE é algo de enorme prestígio!

E se é para falar em prestígio, o que citar do combate pelo World Heavyweight Championship? Sheamus é uma aposta que a meu gosto, bem como no de muitos, está extremamente desprestigiado em razão de bookings que mancharam sua imagem com os fãs. Claro que estou citando a vitória sobre Bryan na WrestleMania… Mas vencer Alberto Del Rio da forma que venceu não caiu bem para Sheamus. Uma ideia interessante para booking? Até que é, faz todo o perfeito sentido para a storyline, bem como se observou na Raw seguinte quando Sheamus foi o responsável pela derrota de Del Rio para Randy Orton (que já não é visto com muito agrado por muitos). Porém o fato de ser Sheamus o wrestler o torna bode expiatório aos fãs de Bryan e Del Rio.

Claro que antes de encerrar não posso deixar de citar o quesito técnico do evento. Os combates no geral seguiram uma linha e padrão semelhantes, com a valorização do aspecto atlético aliado a plasticidade dos golpes e a valorização da história contada no ringue. Com a exceção da disputa pelo cinturão de duplas, todos os outros combates merecem uma atenção especial, mesmo que Sheamus vs Del Rio seja deveras frustante. Sobre a luta de duplas, não é que ela tenha sido ruim… É apenas que ser campeão de tag team na WWE é que nem estar na Malhação… É só para dizer que não está na geladeira, mas na real poucos se importam… E o pior de tudo é que a WWE estava a mudar esse pensamento desenvolvendo uma rivalidade bem construída até entre Prime Time e os campeões Kofi & R-Truth, mas com essa demissão do manager dos Prime Time há de se esperar para ver como caminhará essa dupla…

Finalizando, o SummerSlam de 2012 foi uma grata surpresa a quem estava sem acompanhar wrestling por muito tempo, bem como para os que já estavam assistindo frequentemente. A ausência de Randy Orton foi um ponto positivo pois garantiu que o “estrelismo” não tomasse conta do evento, e que por mais que muitos possam citar “ah, mas o main event foi estrelismo”, vale ressaltar que Triple H merece esses últimos momentos antes de sua muito próxima e merecida aposentadoria. E você, Rumblemaniac e fã de luta livre, o que achou do SummerSlam? Eu gostaria realmente de ler sua opinião pois quero saber se estou por desconectado da realidade de quem acompanha frequentemente em fóruns e blogs, ou se realmente captei a essência do momento. Um abraço e até a próxima!

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2 comentários em “Overtime #22 – Análise – WWE SummerSlam 2012

  1. Eu não gostei nada desse SummerSlam. Só teve luta chata e parada, tudo à favor do Main Event que precisava ter tempo pro Triple H fingir que irá se aposentar. O WWE Title que era pra ser o Main Event, uma luta boa e bem trabalhada, foi ofuscada por Lesnar e HHH só por causa do tempo. Acabou rápido até demais, enquanto Lesnar vs. HHH ficou na mesmice do Lesnar tentando quebrar o braço com uma Kimura, a luta inteira nisso. Se tivemos 10 golpes diferentes, foi muito!

    Aliás, pra mim o PPV já se encaminhou pra ser ruim desde o Pre-Show. Como assim o cara que desperta grandes olhares para a WWE, e vence o Title numa luta que tá passando no Youtube? Eu acho que seria melhor perder e em outra ocasião, no caso no próximo PPV e no Card principal, conquistar o Title. Ele vencer no Pre show não adiantou muito, pois muita gente mal o viu direito em ação, a não ser, no máximo, os três minutos que a WWE passou de Replay. Se fosse no CArd principal, a atenção e glorificação dele seria muito maior.

    Eu mesmo sabendo que o Jericho venceria no SummerSlam, achie muito fraco isso de vencer no PPV e um dia depois já ser demitido. Seria mais credível botar a estipulação direto no SummerSlam do que no RAW, já que a luta conseguiu ser mais rápida do que num PPV como o SummerSlam.

    Arruinaram um PPV que tinha tudo pra ser ótimo, e já se acumulam dois consecutivos, se juntando ao MITB, que pelo menos foi um pouco melhor, e olha que vinha de sequências boas desde a Wrestlemania!

    Ótimo texto!

    • Valeu pelo comentário, pensei que ninguém fosse se dar ao trabalho de ler ou cometnar o texto. Mas saiba que em muito discordo do que você pensa sobre o evento… Tudo bem que temos pontos de vista diferentes, mas deixe-me tentar manter minha visão do evento e convencê-lo! 🙂

      A começar que eu não acredito que as lutas tenham sido chatas e paradas, pelo menos não para Jericho e Ziggler, não para Punk/Cena/Show, nem para Sheamus e Del Rio, e o mesmo se repete para Bryan e Kane, e olha, até o main event eu achei bom, embora com qualidade técnica inferior. No caso do ME eu ressalto que os golpes tiveram significado, pois ali foi a peleja entre dois bralwers. E a disputa pelo WWE Title foi lutão, e sobre ser ofuscada pela luta do Triple H, é o que eu vou falar agora também: isso tudo depende de como o fã de wrestling vê a coisa! Por exemplo, em um filme como Poderoso Chefão a cena final é clássica e muito importante, porém o filme inteiro é recheado de passagens magníficas, então não importa necessariamente a ordem, mas sim que a cena é fantástica, certo? O mesmo para a ordem dos combates…. Embora realmente tenha todo um glamour em volta do MAIN EVENT!

      Sobre o Pré-Show, acredito que aí seja o único fator que concorde realmente contigo, porém eu posso explicar um motivo… Todos os demais combates tiveram uma storyline e um background maior do que este, salvo a luta do Kane e Bryan, que ainda assim tem maior relevância por terem maior destaque na companhia, então é até compreensível, porém obviamente eu preferiria assistir essa luta como uma parte do evento, não entendi muito o motivo de ter sido a luta transmitida pelo youtube – eu mesmo não vi -, mas ainda assim o resultado muito me agrada!

      Sobre vencer no PPV e ser “demitido” na Raw seguinte, “por que não colocou isso pra rolar no PPV então?” Bem cara, aqui eu posso afirmar exatamente o porquê! Jericho ainda pode sim vencer um grande desafio, e foi essa a ideia ,desde que o Jericho retornou à WWE ele ainda não havia vencido um combate de pay-per-view, então nada mais justo do que ter sua vitória no SummerSlam, não é? Agora se colocam essa estipulação que puseram na Raw seria extremamente prejudicial para ambos, se Jericho perde, sairia muito por baixo e o resultado não faz jus a quem Jericho realmente é, se Jericho vence, acaba com o push do Ziggler… Você vê a sinuca de bico que fica? Agora sendo na Raw tudo fica diferente… Jericho já mostrou que pode vencer um desafio grande, bem como ELEVOU o Ziggler ao status de desafio grande, e ainda fez Ziggler ser o responsável pela sua demissão… Na limpa! Olha só que magnífico pra carreira do Mr. Money In The Bank?!

      Consegue ver por esse lado agora?

      Abraço!

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