Morre Ted Boy Marino.

Mario Marino, conhecido como Ted Boy Marino, um dos astros do telecath brasileiro na década de 1960, será enterrado às 9h desta sexta-feira (28), no cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Por volta das 8h, amigos que já haviam chegado ao velório lembraram com carinho do artista.

“Ele gostava era de comer. Quando viajei, me pediu pra trazer uma dobradinha pra ele, mesmo fazendo hemodiálise. Ele adoeceu por bobagem, ele era diabético e comia um monte de bobagem. Achei que ia ta lotado, pelo seu prestígio, mas que os amigos já morreram todos. Se não tivesse adoecido, iria pro Sul e já tinha me chamado pra comer um churrasco”, disse Adílio Maschio, amigo de Ted há 25 anos.

Ted Boy Marino morreu nesta quinta-feira (27), aos 73 anos, durante uma cirurgia emergencial no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na Zona Sul.

Segundo o Pró-Cardíaco, Marino deu entrada no hospital pela manhã com insuficiência vascular aguda, que levou à cirurgia, e teve uma parada cardíaca às 19h.

Marino nasceu na Calábria, região da Itália, em 18 de outubro de 1939. Foi para Buenos Aires em 1953, no porão de um navio, aos 12 anos de idade, junto com os pais e cinco irmãos. Em 1962, começou a participar de programas de telecatch na Argentina e no Uruguai. Em 1965, chegou ao Brasil e logo foi contratado pela antiga TV Excelsior.

Conquistou muitos fãs, pois além de lutar e derrotar astros desse esporte, como Verdugo, Rasputim, Barba Negra, Múmia, Ted era o “bonitão”. Ted foi convidado para entrar em um programa humorístico, como companheiro de Wanderley Cardoso, com direção de Wilton Franco.

Wanderley era o ídolo das garotas e Ted também conseguia muitas admiradoras. Wilton Franco escalou também o cantor e ator Ivon Cury, para dar mais segurança ao texto e o programa fez sucesso. Foi quando foi escalado também um humorista novo, no qual Wilton Franco confiou. Ele se chamava Renato Aragão.

Logo depois, surgiu o quarteto que chegava a 50 e a 60 de ibope. Ted e Aragão estrelaram o filme: “Dois na Lona”, em 1968. Aí nasceram “Os Trapalhões”.

Ted Boy Marino participou de diversos filmes, entre eles “Os três palhaços e o menino”, em 1982, “Os paspalhões em Pinóquio 2000”, em 1980. Em 1992, ele esteve no ar em  “Você decide”, na TV Globo. Sua última participação na televisão foi na novela “Bang bang”, também da Globo, em 2005.

Ted fazia, também na TV Globo, o “Sessão zaz trás”. Todas as noites, antes do Jornal Nacional, entrava na novelinha “Orion IV x Ted Boy Marinho” e às terças-feiras, fazia o “Que delícia de show”, onde era apresentador de um programa de variedades. Aos sábados era exibido o Telecatch.

Telecach
O Telecatch Montilla era a versão brasileira das lutas-livres e foi um dos programas responsáveis por alavancar a audiência da TV Globo na década de 1960.

No programa, aproveitando a distração do juiz, o vilão batia no mocinho, e o público, com raiva, gritava e jogava sapatos e guarda-chuvas no ringue. Na luta encenada, valia tudo: mordida, dedos nos olhos, tijoladas na cabeça, limões espremidos nos olhos, supercílios cortados com gilete e até bater no juiz. Quando tudo parecia perdido, o bonzinho recuperava as forças, aplicava uma série de tesouras voadoras no malvado e vencia a luta.

O Telecatch  foi originalmente criado na TV Excelsior e passou a ser exibido pela Globo em 1967. Era transmitido ao vivo do auditório da emissora, aos sábados, inicialmente às 20h. Dois anos depois, o programa passou a ser exibido na TV Tupi. Saiu do ar em 1972. Na TV Globo, o programa tinha a direção de Renato Pacote e Teti Alfonso. A narração era de Tércio de Lima e o anunciador das lutas era Jayme Ferreira.

Ted Boy Marino era um galã loiro e tinha muita popularidade entre as crianças e o público feminino. Ele contou, na época, que chegou a receber mais de duas mil cartas por semana e que precisava entrar com seguranças na TV Globo devido ao assédio dos fãs.

Mas o programa foi interrompido pela censura, que tirou a luta-livre do horário nobre e, depois, da grade de programação. O “espetáculo-marmelada” fazia muito sucesso e ainda voltou em várias versões nas décadas de 1970 e 1980 em outras emissoras.

Ted Boy disse, na época, que para lutar era preciso habilidade e muito treino, para saber cair. Mas, apesar do seu know-how, ele se acidentou diversas vezes: quebrou joelho, tornozelo, braço, ombro e costelas.

Depois que o gênero saiu de moda, o lutador passou a se apresentar em clubes e teatros do interior.

Os outros personagens conhecidos como os reis do ringue eram: o traiçoeiro Mongol, o exótico Leopardo, o extraordinário Tigre Paraguaio, o misterioso Verdugo, o impagável Tony Videla, o irritante Rudy Pamias, o violento Rasputin Barba Vermelha, o campeão Caruso e os irmãos estilistas Beto e Sergio.

Fonte: G1

Nota GRTR:

Não perdemos apenas um grande ídolo da luta livre nacional ,ou o maior deles, mas sim um grande homem, com uma história de superação na vida espetacular. Poucos possuem a grandenza de Ted, ou Mario como queiram.

Hoje se perde um exemplo, um heroi, um verdadeiro lutador.

Obrigado Ted Boy.

Xandao Dead.

Para quem não viu, clique aqui e assista sua ultima entrevista feita pelo Otávio Mesquita, postada aqui no blog.

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